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Esta categoria contém 52 posts

Outras trilhas

O blog da jornalista Estela Caparelli, Outras Trilhas, é recheado de cultura, política, mídia e novas tecnologias. Atualmente ela está no México, concluindo um documentário sobre gênero em parceria com a produtora brasileira VideoIdeia. Vale muito a pena!


Calvin sempre bom

O blog “Depósito do Calvin” é uma graça e merece atenção. Por favor!

Grau do surto

Dora Kramer

O Globo

A sandice subiu de grau em Brasília. Num mesmo dia, o ministro Paulo Bernardo disse que haverá um fundo soberano para financiar as empresas brasileiras no exterior a juros baixos e que será criada uma subsidiária do BNDES com o mesmo objetivo; o presidente Lula disse que vai salvar uma empresa que se afundou por sua única culpa e ainda circula a notícia de criação de uma nova Petrobras.

Vários países fizeram fundo soberano com seus excessos de poupança – o que não é o nosso caso; não temos excesso de poupança. O pior problema com o nosso fundo soberano é que, até agora, não se sabe com que dinheiro ele será constituído. Sabe-se que sairá em junho e sabe-se o objetivo: o ministro do Planejamento disse que será para “financiar” e “apoiar” as empresas brasileiras no exterior.

Financiá-las no exterior isso o BNDES já faz. Olhe só o metrô de Caracas, construído com financiamento do banco, e vários outros projetos. Já é com um dinheiro mais barato do que o Tesouro paga para se financiar. Mas o ministro avisou que o fundo foi um pedido do presidente Lula durante uma reunião para discutir a nova política industrial. E explicou que se uma empresa for “vender serviços, fazer incorporação de outras” poderá ser financiada por este mecanismo. Disse também que está se pensando em criar uma subsidiária do BNDES para fazer o mesmo trabalho.

Deu para entender? Difícil! O BNDES já faz um determinado trabalho, ainda assim, será criado um fundo – com dinheiro não se sabe de onde, mas provavelmente das reservas – e uma subsidiária de um banco estatal para oferecer o mesmo financiamento. O dinheiro do BNDES vem, em parte, do Fundo de Amparo ao Trabalhador e vai financiar compras de empresas brasileiras ou outros negócios no exterior. Será, mais do que nunca, o Fundo de Amparo a Empresários… e a alguns sindicalistas.

Quando um país atinge o grau de investimento, as empresas daquele país têm a vantagem de se financiar a custo mais baixo. E isso é tudo que o Estado deveria fazer por elas; já é o suficiente. Hoje uma grande companhia brasileira tem crédito onde quiser e paga juros mais baixos que nunca. Para que financiá-las com as reservas ou com o FAT quando elas correm risco externo?

A idéia, felizmente ainda não confirmada, de se criar uma nova Petrobras tem o mesmo grau de surto. Como a Petrobras quer que todas as reservas do pré-sal sejam concedidas apenas a ela, e isso é impossível, porque é uma empresa de capital aberto, o governo estaria pensando nessa idéia brilhante. Seria criada uma nova Petrobras, só estatal, que teria o monopólio da exploração do petróleo e do gás naquela faixa de profundidade. Se o governo fizer isso, estará recriando o monopólio que foi extinto pela Lei do Petróleo. O que existe hoje é o monopólio da União, e ela concede o direito de exploração em campos específicos, através de leilão. Se for criada uma nova empresa para ter esse monopólio, a União estará abrindo mão dele.

Como se todas essas idéias já não fossem estranhas o suficiente, em Manaus, o presidente Lula afirmou ontem que “o governo tem tentado criar as condições para salvar a Gradiente”. Disse que o companheiro Luciano Coutinho está encarregado disso e “vamos tentar fazer a nossa parte”.

Governos não devem salvar empresas em dificuldade, e foi nessa trilha que andou quando negou salvação à Varig, por exemplo. Por que salvar a Gradiente? Porque o empresário Eugênio Staub é amigo do presidente? Ela está quebrando no melhor momento para o setor. Como uma empresa de eletroeletrônicos, instalada numa zona livre de impostos, com benefício do dólar baixo na importação dos componentes da sua montagem, consegue quebrar numa hora como esta? Não há de ser culpa do BNDES; do governo. Por que os contribuintes deveriam pagar por isso?

Com idéias com tal grau de insensatez é que o Brasil pode abrir caminho para perder o grau de investimento. Tudo isto: “política industrial”, “apoiar empresa brasileira no exterior”, “salvar empresa” significa gasto público. E ampliação desses gastos é o que o governo não deveria fazer agora. Primeiro, porque eles estão aumentando acima do crescimento do PIB; segundo, porque este é o ponto fraco do país, reconhecido até pela agência que nos concedeu o grau de investimento; terceiro e mais importante: o contribuinte não está disposto a continuar indefinidamente pagando a conta de gastos públicos crescentes.

Como se todas essas decisões e declarações já não fossem suficientes para provar que há um certo grau de surto no governo brasileiro neste momento, ainda veio a declaração do presidente da República sobre mulheres.

Lula disse que a mulher quer quatro coisas; pela ordem: casa, casar com homem bonito e trabalhador, carro e computador. O presidente da República apequena, assim, o horizonte dos sonhos das mulheres a alguns bens materiais e um casamento. Nada sobre todos os outros avanços e conquistas que as mulheres têm conseguido duramente. Tudo o que ele pensa sobre as mulheres cabe no mais rasteiro dos estereótipos. O presidente revelou, mais uma vez, sua visão preconceituosa sobre a mulher. Queremos mais que isso, presidente! São maiores, mais amplos, mais numerosos e complexos nossos desejos e possibilidades.

Radiohead não vai mais lançar álbuns pela Internet

Thom Yorke, vocalista do Radiohead, disse que não vai mais lançar álbuns livres para download. O que poderia se chamar de reinvenção da indústria da música, agora será uma não-reinvenção. Ainda bem que Madonna seguiu o caminho, com o álbum Hard Candy…

 

Filosofia e História

Marcia Tiburi

Todos querem saber sobre a história da Filosofia, tema de vasto interesse nestes dias em que,para o bem e para o mal, desenvolvendo a conversação e a democracia ou servindo de ilustração para quem confunde reflexão e crítica com adereço no mercado dos valores sociais, a Filosofia está na moda. Por outro lado, ela chega com força, do ensino fundamental e médio aos cursos universitários, como disciplina obrigatória. Sua potência é a da modificação das bases da educação pelo avanço da crítica e da compreensão em território sem especialização reflexiva. Filosofia e Educação devem conviver. Todavia, a possibilidade de uma calcificação da educação pela má Filosofia, que se pensa como “saber” constituído, “área” de pertença de eruditos inconscientes das relações sociais nas quais estão envolvidos, ou da filosofia pelo mau ensino, aquele que se perde na prática irrefletida, pode minar um projeto de formação para a democracia que é tanto a tarefa da Educação quanto da Filosofia nos dias de hoje.

Neste contexto, convém evitar confusões e é por isso que a distinção entre Filosofia e sua história merece uma atenção muito cuidadosa. A indistinção resulta do descuido – e convém perguntar se alguma sorte de interesse – por parte daqueles que, como professores de Filosofia, são os responsáveis por sua reintrodução no ensino brasileiro ou mesmo por sua divulgação. Ponderá-la é o primeiro passo filosófico na compreensão, e na promoção, de um novo estatuto, tanto para o que podemos chamar Filosofia, quanto para o que é hoje o seu ensino, baseado, muitas vezes, apenas na história pré-datada que, elevada pelos intelectuais envolvidos com ela (a Filosofia) a estatuto de verdade absoluta, extirpa-lhe a tarefa reflexiva e, portanto, seu núcleo essencial.

Que a Filosofia esteja dentro da história e a história do pensamento dentro da possibilidade da própria reflexão filosófica, é inegável. Essa é uma primeira concepção de Filosofia com a qual precisamos conviver. Que a Filosofia que conhecemos derive de textos tão bem conservados por sua força conceitual, que aquele que dela fale necessariamente a reconheça como uma tradição de pensamento que envolve justamente a capacidade da dúvida e da refutação da própria tradição, são fatos que não podemos desconhecer. A Filosofia é, nessa definição, a história do pensamento crítico ligada à vida de certos homens que a escreveram e à cultura à qual pertenceram. Só a Filosofia pode ser recepção crítica da tradição da própria Filosofia como viagem do pensamento humano no tempo. Nesse sentido, é claro que a história é essencial à concepção da Filosofia.

Recepção crítica, todavia, é atividade filosófica que pode ser eliminada se as instituições simplesmente o quiserem, fomentando apenas a pesquisa que, levando adiante a má historiografia, apenas repete e assina embaixo os grandes conceitos do passado. É isso que as pós-graduações exigem hoje de alunos em processo de pesquisa, tolhendo-lhes toda a criatividade e a possibilidade de inovação. Nivela-se por baixo pensando que se está a fazer o contrário. Além de tudo, toda relação interdisciplinar é totalmente controlada. Ninguém sustentará que é possível reinventar a roda em Filosofia, não se trata de postular tal absurdo. Mas a possível eliminação do pensamento crítico pelo pensamento como instituição é um risco que filósofos, se quiserem realmente enfrentar a potência de seu próprio elemento, devem evitar.

Pensamento crítico

Uma boa História da Filosofia seria o contrário da fossilização forçada dos conceitos que vemos hoje. Seria diálogo e constante crítica com o que foi pensado e estabelecido como tal, com vista ao estatuto do tempo presente no qual cada pensador está, querendo ou não, situado. Uma questão, todavia, se impõe. Por devoção pessoal, ou necessidade subjetiva, um professor de Filosofia pode ser um sujeito anacrônico, alguém despreocupado com a reflexão e a invenção de conceitos próprias à capacidade de pensar organizada como Filosofia. Ninguém está proibido de anacronismo. O anacronismo é, pode-se dizer, um direito. Mas há que justificá-lo quando se ensina Filosofia.

Dizer, portanto, da diferença entre Filosofia e História da Filosofia não é sinalizar um abismo entre o tempo passado e o tempo presente, ou um combate à tradição, nem, muito menos, dizer que a Filosofia deve ficar longe de sua própria história, ou separada dela como de algo nocivo. Seria fundamentalismo ou ignorância postular uma origem absoluta da Filosofia no tempo presente de qualquer consciência. Nem a Filosofia longe de sua história é, de antemão, garantia de Filosofia alguma. A própria questão da relação entre ambas precisa ser bem posicionada para evitar mal-entendidos na consciência de cada estudante e de cada pesquisador ou professor. A Filosofia, portanto, não precisa nem deve ser tratada, pura e simplesmente, como a História da Filosofia. Há que se ponderar sua tensão a cada vez que ela se coloca, seja na sala de aula, seja onde for.

A Filosofia, como nome próprio ou marca registrada, é o contrário do pensamento crítico em nome do qual algo como Filosofia como liberdade do pensamento pode existir. A ampliação do território do pensamento é o que está hoje em jogo. É essa liberdade que possibilita o diálogo, sua ação mais significativa em termos sociais. Assim como um dia Maurice Blanchot teve a feliz idéia de postular a inexistência d’A Literatura, afirmando que ela se cria e recria a cada vez que um escritor escreve um livro, é preciso defender hoje que a Filosofia é criada e recriada a cada vez que alguém se dá ao trabalho de elaborar, de modo organizado e com espírito sistemático, as concepções, as teorias, as interpretações que aparecem no rumo de sua pesquisa. Isso também define que Filosofia não é uma mera conversa, um mero debate em torno de idéias que fazem parte do jargão conceitual vigente, mas uma busca consistente em torno de uma possibilidade, a de que exista a verdade. Só há sentido em buscá-la à medida que se deixa claro o lugar de onde cada um que pensa é capaz de expressar-se. A Filosofia, nesse sentido, é uma experiência compartilhável que começa com o fato inexorável do pensamento de cada um num contexto de trocas discursivas em que todos estão implicados, independentemente do seu grau de informação ou formação.

Artigo publicado orginalmente no sítio da Revita Cult.

Reservas indígenas ameaçadas

Janaina Goulart

Matéria publicada na revista Carta Capital dessa semana intitulada “Eldorado ameaçado” apresenta os movimentos parlamentares para a liberação da mineração em terras indígenas.

Para isso, eles estão de olho em um projeto de lei que prevê a modernização do Estatuto do Índio e que aguarda há 14 anos apreciação do Congresso. Por iniciativa de um grupo de deputados, pelo menos um capítulo previsto deve ir a votação: o que trata da exploração mineral em terras indígenas.

É absurdo existir boa vontade para aprovar um capítulo que vem de encontro exclusivamente a interesses comerciais e deixar o estatuto apodrecendo. A matéria mostra também que uma comitiva de parlamentares tentou pressionar comunidades indígenas (inclusive com presentes), como os Yanomami. Na ocasião a tribo os proibiu de entrar e deixou bem claro que não se interessam por extração minera e querem a revisão do Estatuto do Índio.

À frente da comitiva, o deputado e ex-garimpeiro Márcio Junqueira (DEM-RR) negou o ocorrido e disse que tudo se trata de um “discurso para tentar me desqualificar”. O deputado disse também que é contra a exploração de ouro na reserva Yanomami e apresentou argumentos bastante plausíveis para sustentar esta posição.

Entretanto, Junqueira é ex-garimpeiro; ajuizou uma ação popular contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol em 2005; encabeça forte oposição às comunidades indígenas no estado de Roraima; e fez campanha quando radialista (há três anos) para libertar 23 garimpeiros presos na Venezuela por crimes ambientais.

São situações como esta que trazem insegurança frente ao Congresso. É impossível identificar a natureza da índole dos parlamentares. Só acompanhando os movimentos de perto para entender o que realmente pensam e fazem. Cabe a nós, cidadãos, o papel de fiscalizadores constantes. Precisamos acompanhar e intervir.

A turbulência que não passou

Nas 491 páginas do livro “A Era da Turbulência –Aventuras em um novo mundo”, do ex-chairman do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), Alan Greenspan, existem alguns sinais claros de que a crise do subprime estava por vir.

Entretanto, quando a crise abalou os mercados, os articulistas de todo o mundo condenaram a “frouxidão” da política de juros da era Greenspan à época em que o mercado imobiliário estava em seus anos de ouro. E as resoluções são sempre as mesmas: mercados irresponsáveis conseguem o socorro financeiro do país ao final de ciclos de grandes ganhos para não causar uma crise generalizada.

Independentemente da abordagem (é preciso ter cuidado para não internalizar temas dados por certo), acompanhar a trajetória deste economista que participou até de conversações com a Rússia pós União Soviética para apoiar na transformação da economia do país em um modelo capitalista é no mínimo, curioso.

O livro é uma viagem a um período de grandes transformações socioeconômicas. Ele foi e é sem dúvida uma testemunha ocular de bastidores políticos e econômicos inimagináveis.

Mafalda


Diários de Havana

O jornalista André Deak está passando uma temporada em Cuba, justamente neste momento histórico:

André Deak

Foi só no dia seguinte ao anúncio de Fidel de que não pretendia mais assumir nenhum cargo no governo que percebi o impacto que isso causou no mundo. Até porque, em Cuba, o impacto foi mínimo. Isso já era mais do que esperado.

Eu e outro amigo jornalista ficamos discutindo se seria o caso de chamar isso de momento histórico ou não. É assim que os jornais pelo mundo estão construindo o imaginário coletivo e a própria história. Mas nos parece, afinal, apenas mais um elemento de um processo histórico, e não algo capaz de afetar a vida de um cubano comum, nem um giro na política nacional. Não se trata da queda do muro de Berlim nem a Perestroika. O socialismo de Cuba, por mais que muitos gostariam que isso fosse verdade, não depende de Fidel.

É interessante, por exemplo, ver a construção semântica da imprensa. Reli o texto de Fidel e li os jornais do dia seguinte, a procurar se havia a palavra renúncia. Não. Fidel já não estava no poder (o que não quer dizer que não tinha poder, mas já não participava, certamente, de muitas decisões do governo). Ao utilizar a palavra renúncia, a impressão que se cria é a de que ele estava na cadeira de presidente – formal ou informalmente – e abandonou o cargo. Nada mais falso.

Tenho a impressão de que os jornais haviam preparado um extenso material especial para a morte de Fidel. Isso é prática comum nas redações – alguém famoso anuncia que está doente e já montam galerias de fotos, biografia, separam telefones de gente que possa dar entrevistas. Só que o Fidel, que sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato, não é fácil. Atrapalhou os planos dos jornalistas. Com esse material preparado, os jornais aproveitaram o primeiro factóide – a “renúncia” – para soltar esses especiais, dando ao fato um tamanho desproporcional ao seu significado.

Daqui de dentro, a mensagem me pareceu uma estratégia astuta de Fidel – e apenas isso. Ele sai de cena de uma maneira suave, sem crise, sem mágoa, sem drama. Deixa praticamente livre o espaço para Raul Castro ser eleito no dia 24, sem nenhum constrangimento de que ele não seja reconduzido. Também prepara, psicologicamente, o povo cubano para o que está por vir – aí sim, um momento impactante para a vida do cidadão. Cidadão que, nem sempre se identifica como comunista, mas se sente fidelista.

Fidel é cativante, mesmo para aqueles que não gostam dele. Me disseram que o povo cubano ficou comovido por três vezes a respeito de Fidel: quando passou mal num discurso e desmaiou (não tinha comido nem dormido, e depois voltou para terminar o discurso); quando quebrou a perna; e quando se soube de sua doença. Fidel é um ser mitológico. Sua morte não será a queda do muro de Berlim, nem o fim do socialismo em Cuba. E agora será menos simbólica e causará menos impacto político do que se ele estivesse no cenário do poder. E ele sabe disso.

http://www.andredeak.com.br/

Em Sampa

A produtora e distribuidora United Artists comemora 90 anos de existência e lança exposiçãocom cartazes e fotos de filmagens de grandes produções como “Touro indomável” (de 1980, com Robert De Niro), “Rain man” (de 1988, com Dustin Hoffman e Tom Cruise) e “O último tango em Paris” (de 1972, com Marlon Brando), entre outros.

Há, ainda, fotos de bastidores de filmagens, incluindo cenas de Woody Allen (como esta ao lado) e o então iniciante Sylvester Stallone.

Mas para quem não pode ir a São Paulo, o G1 preparou algumas imagens. Clique aqui para ver o álbum.

Exposição “United Artists – 90 Anos de Magia no Cinema” No Reserva Cultural (Avenida Paulista, 900, tel. 3287-3529), das 10h às 22h. Entrada gratuita.

Gente também é peça de museu

Museus não são chatos, pelo menos em suas essências. Eles respondem parte de muitas de nossas perguntas fundamentais: “quem sou”, “de onde vim”, “como fui parar aqui”, etc. Mas, e se no lugar de grandes personalidades históricas, peças artesanais, livros antigos e bonecos de cera entre outras coisas tivéssemos um museu com histórias de pessoas comuns? Pessoas que fazem parte de realidades locais (tão distintas entre si em nosso país) e que contam suas vidas para um museu de pessoas?

Pois essa idéia já existe, é o Museu da Pessoa, em São Paulo. Criada em 1991, a proposta da casa é construir uma rede de histórias de vida que contribua para a transformação social. Hoje existe uma rede de museus da pessoa com sedes em Portugal,Estados Unidos e Canadá.

O material produzido é de excelente qualidade e a equipe é composta por profissionais de comunicação, relações internacionais, pesquisadores, tradutores e voluntários.As participações são gratuitas e qualquer pessoa pode contar sua história. Entre e divirta-se! Clique aqui.

Dinâmica das organizações modernas

O livro Imagens da Organização de Gareth Morgan, grande autor norte americano, é uma leitura obrigatória para o administrador moderno.Apresentando nuances organizacionais por meio de metáforas, o autor consegue exprimir aquelas situações que acontecem no dia-a-dia de maneira real e clara. 

Uma das metáforas é as “Organizações como sistemas políticos”, em que são abordadas questões como conflitos de poder e interesse, formas de governança de uma organização, e a relação entre empregado e empregador, muitas vezes tensa. A verdade é que o tema “política” é um tabu dentro das empresas e quase sempre é visto como algo negativo.
Política existe sim, o tempo todo e em todo lugar. Cabe aos trabalhadores, executivos e empresários identificarem a melhor forma de agir frente a determinadas situações. As tirinhas de Dilbert que o digam:

Clarice acredita em alienígenas

Clarice, uma senhora que mora nas mediações do Lago Paranoá em Brasília, acredita em seres extraterrestres. Ao fim de todos os dias, por volta das 6 da tarde, pega o binóculo, um chapéu e uma fita de filme antigo (como aquelas de negativo de foto), deita em uma espreguiçadeira em seu quintal, e põe-se a esperar.

Os vizinhos não dão muito crédito e a nobre observadora já virou motivo de piadas e quase sempre vergonha para seus dois filhos: Joana e Rafael (15 e 12 respectivamente – entenda-se idade complicada). O sr. Manuel não agüentou e deu no pé.

Foi ele quem trouxe o assunto para dentro de casa, mas Clarice acabou se apaixonando pelo tema; estudou, pesquisou, entrou para uma Ong dedicada à ufologia e finalmente, um belo dia, reuniu a família e declarou: “Vocês precisam viver sem mim. Eles virão me buscar em breve e não estarei aqui para cuidar de vocês”.

O choque foi geral e logo se esparramou pela rua. Sr. Manuel se sentiu culpado, mas não quis internar a esposa. É que no fundo ele não acreditava em alienígenas e achava que ela estava ficando louca.

Muitas foram as tentativas de persuadí-la, mas quando viu as malas prontas, entendeu que realmente não havia mais o que ser feito.

E ela sempre dizia que Cocoon não é ficção. “Aquilo acontece de verdade e todos os dias!!” Os filhos desistiram dela quando o sr. Manuel foi embora. Ela ficou só e determinada a seguir o plano de deixar o planeta.

Pois à véspera do reveillon de 2008, Clarice desapareceu. Quando os filhos chegaram em casa para os preparos da virada de ano não viram mais as malas. Ela sumiu. No quintal de casa um bilhete que dizia:

“Chegou a minha hora. Estou indo para um lugar melhor, onde as pessoas, ou melhor, os seres, me compreendem e me respeitam.
Ass. Clarice”

Os filhos ficaram parados, estarrecidos e emocionados. Não estão entendendo nada até agora. Seqüestro? Teria um amante? Endoidou de vez e foi morar no interior? As perguntas estão no ar, mas em breve teremos mais informações de Clarice, a mulher que acredita em alienígenas.

PS* Qualquer semelhança com nomes e lugares é mera coincidência.

A !idéia revista deseja a todos que a crônica da vida em 2008 seja uma das melhores!

É preciso falar de Saramago

Não é porque vai virar filme de Fernando Meirelles. É porque emociona. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago é uma leitura flutuante entre o real e o imaginário. Faz o leitor refletir se está emaranhado na própria cegueira, muitas vezes rasa.

As linhas diretas e sem pontuação conseguem exprimir no tom qual é o personagem da vez. É possível sentir a agonia de não enxergar, assim como a agonia de ver demais. Nenhum momento é sem propósito e as ligações entres os personagens é brilhante, como um fone sem fio.

Não existem nomes próprios. Saramago descreve os cegos por alguma característica. Assim os personagens são reconhecidos como a moça dos óculos escuros, o primeiro cego, a esposa do médico, o ladrão…

Não há bons e maus, há humanos, com falhas e virtudes. Há uma humanidade tentando viver com dignidade frente a uma enfermidade coletiva temporária.

“O meu caso já eu o tinha contado ao senhor doutor, disse o primeiro cego, tinha parado num semáforo, a luz estava vermelha, havia gente a atravessar a rua de um lado para o outro, foi então que fiquei cego, depois aquele que morreu no outro dia levou-me a casa, a cara não lha vi, claro, Quanto a mim, disse a mulher do primeiro cego, a última coisa que lembro de ter visto foi o meu lenço, estava em casa a chorar, levei o lenço aos olhos e nesse instante ceguei, Eu…..”

Mais ou menos R$ 40 bilhões

O Senado não aprovou a Medida Provisória que prorrogaria a CPMF. E agora? De um lado o Governo diz que a área da saúde ficará sem o aumento de recursos previstos. Prefeituras e Governos Estaduais terão que se esforçar mais. De outro, a oposição apresenta argumentos na inconstitucionalidade do imposto e na ineficiência da aplicação dos recursos arrecadados.

O que resta agora é acompanhar os próximos passos do Governo. Quais saídas serão encontradas – aumento de impostos, criação de uma nova forma de arrecadação? Não é certo ainda o que será feito, mas é fato que a falta do imposto vai afetar a economia do país. Para o bem ou para o mal…

Alegria? Encanto!

Katiuscia Leles

Luzes acesas, lona, picadeiro e pipoca a peso de ouro.

Alegria, o show começou! Equilíbrio, força, coordenação, flexibilidade, domínio total sobre o corpo e várias gargalhadas. Um circo inteligente e adulto. Não acho que seja ideal para crianças com menos de sete anos, pode ser cansativo. Palhaçadas com algumas poucas palavras, ditas pelo único brasileiro da companhia.

- Queria um papel. Por que mesmo eu não trouxe o meu bloquinho? Merda, nenhuma caneta pra escrever num guardanapo.

Tinha que ser naquele exato momento. Tá, tá bom, tô escrevendo agora. Várias das sensações que senti naquele instante; dificilmente vou conseguir transcrever com a mesma intensidade. Adoro circo. Sempre gostei, quando criança sentia uma frustração enoooorme quando não tinham animais pelo palco. Depois que foi proibido no Brasil (e ainda bem que fizeram logo isso), eu já era adulta, concordei e apoiei.

Não adianta tentar me convencer que os animais são bem tratados. Comida e carinho (quando dão) não são suficientes. Jaulas e lonas, não devem ser muito confortáveis. Não quero reclamar, estou boba com o espetáculo Alegria do Cirque du Soleil, encantada com as habilidades humanas. É impossível explicar a sensação. Posso até descrever o espetáculo, mas é preciso estar lá, dentro daquele clima mágico que só o circo é capaz de transmitir.

É como se o corpo humano não tivesse limites. Como se todo aquele equilíbrio e agilidade fossem as coisas mais simples de se conquistar. Eu não acho. Mas gente, vamos combinar, encostar o bumbum na cabeça não deve ser nenhum pouco fácil pra criatura do lado sair dizendo que o espetáculo é cansativo.

Sim, talvez seja porque algumas pessoas acham que os homens são soberanos, que são inteligentes demais e por isso devemos explorar os animais em cima dos picadeiros.
O picadeiro? Acho que é um palco, sei lá. Com várias entradas e saídas, rampas, escadas e colorido por um jogo de luz que o renova para cada apresentação. Ele se abre e surgem camas elásticas, levanta e ilumina os artistas. O espetáculo passeia pelos corredores seduzindo quem assiste. Totalmente cheio de técnicas, graça e arte. Pessoas comuns da platéia, participam ainda que, simbolicamente de algumas apresentações e arrancam sorrisos de todos.

Tá vendo? Tinha um texto totalmente diferente na minha cabeça. Mas a sensação passou, só ficou a lembrança, que não chega a ser saudosista para arrancar suspiros de outrora. Enfim, diferente é como posso definir o espetáculo. Ah, também posso definir como surreal os preços cobrados.

Você pode levar várias lembranças: camisetas R$100, máscaras R$550 à R$1.900, canecas R$15 à 20, ou se preferir, pode levar o balde da pipoca como várias pessoas fazem ao fim do espetáculo e pagar a bagatela de R$13,00. Obrigada Marília, esse foi um presentão!

quanto vale o arco-íris?

Manu Carvalho

‘in rainbows’ é o nome do sétimo trabalho da banda inglesa radiohead, lançado há uma semana, e que já gerou muitos e muitos comentários em sites de notícia, relacionamento e blogs. o motivo é simples: você escolhe quanto quer pagar pelo álbum, que está disponível apenas pela internet. se você colocar lá “quero pagar 0 euro” ou “4 euros”, consegue baixar. colecionadores podem ainda encomendar o formato discbox que sai em dezembro, que tem como brinde um cd extra, fotografias digitais e artwork que sai, se não me engano, por 40 euros.

em tempos de crise da indústria fonográfica, algumas bandas independentes já fazem esse tipo de promoção, até nacionais, como mombojó e b negão e os seletores de frequencia, que disponibilizam seus álbuns para download gratuitamente na net. a iniciativa foi abraçada pelo radiohead, que está sem gravadora no momento, e não lançava um novo trabalho há quatro anos, com o diferencial, é claro, do “quer pagar quanto”. talvez por isso, a sacada soe das mais inteligentes, uma vez que o público é naturalmente arrastado pelo “baixar e baixar álbuns sem ter fim” (no fundo ciente de que essa não é a única fonte de renda das bandas) e, ao mesmo tempo, está atenta ao pensar ‘quanto eu pagaria para ouvir o novo do radiohead?’, questão que implica na valor qualitativo do trabalho dos moços de oxford. há quem julgue incontestável. há quem não tenha gostado e até justifique isso a oferta casas bahia. será?

essa conversa me fez lembrar de elton john, que dia desses pediu o fim da internet para salvar a indústria musical, magoado com o fracasso de seu último trabalho, que vendeu apenas 100 mil cópias. segundo ele, tudo por culpa dos downloads. penso que o sr. elton john tem é que pegar umas dicas no mercado independente e mudar de vez sua estratégia, porque, se a moda pega, o que não vai faltar é internet para música. e nem música para internet.

acredito mesmo que esse negócio de baixar legalmente e, ao mesmo tempo, de graça, assusta. digo isso porque, lendo comentários de fãs e críticos sobre ‘in rainbows’, dá pra sentir uma comparação tremenda dos trabalhos anteriores do radiohead com o recém-lançado. daí muitos dizem ‘ah, eu não devia ter pago nada por esse álbum’, o que é, no mínimo, um erro. música também requer maturação, busca pela plenitude e, claro, reconhecimento. não vamos querer que o radiohead de ‘high and dry’ e ‘fake plastic trees’, lançadas há 12 anos, mantenha-se fiel ao experimentalismo da hora. tudo muda, seja deixando a guitarra como mero coadjuvante, a bateria mais suave que o comum ou o vocal de thom yorke e elementos diversos mais expressivos. isso radiohead consegue em ‘in rainbows’ com muita sutileza. e convence.

minha dica é: ouça ‘in rainbows’ com tempo, carinho e sensibilidade. afinal, o álbum foi lançado há uma semana, apenas. para a experiência, sugiro iniciar com ’15 step’, faixa-abre que tem sons de crianças no backing. ‘nude’, pela leveza vocal e instrumental, ‘weird fishes/arpeggi’ e ‘reckoner’ por serem simplesmente radiohead e lembrar, mesmo que vagamente, a essência do quinteto inglês.

você deve estar se perguntando: para uma rasgação de seda dessas, quanto você pagou para ouvir ‘in rainbows’? isso não importa. é garantido que, independente do valor em euros, radiohead ainda ‘vale quanto pesa’ em qualidade.

baixe in raibows
http://www.inrainbows.com/Store/Quickindex.html

site do radiohead
http://www.radiohead.com/

Quem é o culpado?

Katiuscia Leles

Cabisbaixa, inundada de sentimentos doloridos da evolução. Os quinze anos que passaram, ficam na memória como se fossem de ontem, me rebato e tento não aceitar.

Tudo isso porque acordei durante a madrugada com a sensação de ter esquecido a porta aberta, e preciso conferir. Antes, isso não tinha a menor importância na minha vida. E o pensamento começou a circular pelas evoluções que sofremos.

As cobranças sociais de um comportamento adequado à idade, não se encaixam na minha cabeça, às vezes pré-adolescente. Sou responsável. Aceito meus trinta anos.

Mas confesso que sinto saudades de me jogar de roupa na piscina, correr como se tivesse acabado de aprender a andar, dançar freneticamente passos recém elaborados, falar alto e gesticulando, chorar simplesmente porque deu vontade, ouvir Janis no último volume quando estou triste e como era bom sonhar com a revolução do mundo, ou simplesmente melhorá-lo. Mas infelizmente, o mais importante não depende só de mim.

Existem coisas que ainda posso fazer, surtos infantis. Posso até parecer meio louca ou mesmo irresponsável, para alguns conservadores. E os meus pais?

Lembro das brigas homéricas que tive com meu pai por conta das diferenças partidárias. Comprei um partido, um ideal. Hoje, tenho minha opinião política e não partidária, mas não acredito que seja necessário desbravar minhas opiniões contra todos que discordam, porque infelizmente eu sei que não podemos mudar o mundo ou as pessoas. Não pela política. Meu sonho por um mundo melhor não acabou, meus ideais continuam.

Podemos sim, mudar nossos hábitos, fazer uma transformação social e, antes de falar mal da corrupção, experimente: encontrar um amigo no começo de uma fila e não tirar proveito disso; não jogar lixo na rua, nenhum por menor que seja; usar camisinha; conversar mais com seus filhos e pais; tomar banhos mais curtos; fazer tudo dentro do prazo estabelecido; não fazer amizades por interesse; cumprir os seus deveres antes de cobrar os seus direitos e respeitar os direitos dos
outros.

Atitudes difíceis para alguns. Mudar um comportamento confortável incomoda. Mas é só isso que os políticos fazem. Coisas pequenas e corriqueiras do dia-a-dia, hábitos comuns a quem está acostumado a pensar só em si mesmo. A ilusão adolescente de que eu posso mudar o mundo, mudou completamente de ângulo.

Enquanto atribuía a responsabilidade dessa mudança aos políticos, esquecia que a mudança só pode ser feita a partir da mudança de comportamento de cada indivíduo. Quantas coisas nós podemos fazer para melhorar o mundo?

Não depende só dos políticos não. É claro que eles podem ajudar bastante. Mas, não é só por isso que os braços devem se cruzar diante de tanta sujeira. A omissão é só uma justificativa para a falta de comprometimento com o que se espera do mundo, que não está lá dentro do Congresso. Está aí, dentro da sua casa, na maneira como usamos ou descartamos as coisas.

Quanto à política, nós podemos pensar melhor na hora de votar, e se o seu voto foi errado ou se o seu candidato fez alguma besteira, nós podemos e devemos reclamar.

Os parlamentares e os 2.000 projetos

G1 fez um levantamento apontando que desde o início da legislatura (fevereiro deste ano), os parlamentares apresentaram 2.161 projetos de lei, mas destes, apenas 1 foi transformado em lei.
Ainda assim, a proposição felizarda, apresentada pelo do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), tratava da alteração da Lei nº 9.096, de 1995, para estabelecimento do critério de distribuição do Fundo Partidário. Ou seja, qual a reelvância deste tipo de lei para a população levando-se em conta uma série de questões emergenciais?

Os deputados alegam que a morosidade se dá pela série de medidas provisórias que tiveram que avaliar. Nesse contexto é importante levar em conta:

    • A população não acompanha e cobra como deveria os trabalhos no Congresso

 

    • Trabalhar três dias na semana afeta sobremaneira o rendimento de qualquer grupo de trabalho

 

  • Se esta equipe trabalhasse no setor privado e apresentasse uma produção como esta, já estaria demitida

O trabalho não é simples, mas diante de resultados como este, qualquer consultor de recursos humanos diria que esta equipe não está apta a gerir qualquer tipo de projeto.

como la cigarra

Manu Carvalho

esmagada. asas abertas. lá estava a cigarra, enfeitando sutilmente a escada do coletivo. logo ela, que há pouco movimentara um bocado as patas na tentativa de alcançar o solo novamente, se ver livre daqueles degraus, voar pr’algum lugar distante dali e fazer uma serenata. naquele momento, aquela cigarra era eu. eu, que ao observar o movimento de suas patas a cada freada brusca sentia a mesma vontade de girar, de driblar aquele sacrifício que é tentar. e aquilo já era sofrimento demais. principalmente porque meu medo covarde de cooperar com a façanha era maior que a própria cigarra. ao mesmo tempo, mentalmente, pedia que não ousasse me ferir, como se ela fosse maior que eu. mas era tarde e eu já sabia demais o que era aquele sentimento de se estar emborcado. a vontade de voar, o medo da morte, a luta anônima, pequena e solitária da cigarra me excitavam como um jogo e, ao mesmo tempo, me causava asco. o que pensava a cigarra? no egoísmo que lhe devora a carne? na lança do medo que lhe fere? na expectativa que lhe frustra? na ansiedade que lhe destrói? eu não queria estar ali. nem ela. mas nós já éramos uma só naquela escada. e meus olhos fixos no refletor com as asas por baixo previam nosso fim, quando a porta se abriu e fui pisoteada também. esmagada. as asas abertas. lá estava eu, enfeitando sutilmente a escada. logo eu, que há pouco me movimentei um bocado na tentativa de alcançar o solo novamente, me ver livre daqueles degraus, voar pr’algum lugar distante dali e fazer uma serenata.

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