Arquivo do mês: agosto 2007

Plano Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas para Maroni

Janaina Goulart

O empresário Oscar Maroni, preso em São Paulo desde o dia 14, pediu asilo político a oito países, segundo informações de seu advogado, Daniel Majzoub. Ele é acusado de favorecimento e exploração da prostituição, formação de quadrilha e tráfico de pessoas. Agora, ele aguarda uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), que definirá a possibilidade desse pedido ser atendido.
As acusações a Maroni representam sérios problemas sociais no Brasil. O tráfico de pessoas, por exemplo, é uma atividade que vem crescendo bastante nos últimos anos.

O estudo Tráfico de Pessoas no Brasil para Fins de Exploração Sexual, elaborado pelaOrganização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC)Presidência da RepúblicaMinistério da Justiça Ministério Público Federal levanta informações importantes sobre a atividade no Brasil: por que e como ela acontece, quem são os traficantes, quem são as vítimas, que danos traz ao país e como combatê-la.

As condições que facilitam a participação do Brasil nas redes internacionais são muitas. Existem boas redes de comunicação, de bancos e casas de câmbio; é possível encontrar apoio junto a portos e aeroportos e existe a facilidade de ingresso em vários países sem visto consular. Até questões como a tradição hospitaleira com turistas no Brasil e a miscigenação étnica favorecem o tráfico.

Com essa facilidade, os danos e prejuízos sofridos pelo país são grandes, como a expansão e aprimoramento do crime organizado, desestabilização econômica, aumento da corrupção do setor público e do sistema político e desestabilização demográfica.

A partir deste estudo, cujo início foi discutido entre Sociedade Civil, órgãos governamentais e organizações internacionais, foi possível criar as linhas legais para que o Governo Federal aprovasse em 2006, do decreto que criou o Plano Nacional de Combate ao Tráfico de Pessoas, que tem a finalidade de estabelecer os princípios e ações para a prevenção e eliminação dessa prática, considerada crime pelo Brasil.

O estudo está disponível na íntegra para download no site da OIT. Para acessar, clique aqui.

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A web 2.0 e o jornalismo

O jornalismo sempre foi representado por um número x de repórteres que buscavam as informações para os leitores, visto que gozavam de acesso a pessoas e instituições. Nesse ponto, os leitores pegavam nas bancas os jornais que mais lhe interessavam. A informação tinha produtores e receptores definidos

Tempos depois, com o surgimento da Internet, o leitor que tinha acesso à rede passou a selecionar suas fontes de informação. Começava aí uma nova relação de consumo de informações.

Em decorrência disso, a posição de leitor não é mais estritamente receptiva. Na verdade nunca foi. A questão é que, em grande escala, os leitores passaram a agir diretamente no trabalho de apuração dos veículos on-line (não que isso não aconteça nos outros meios), em intervenções via canais de comunicação como o e-mail por exemplo.

Hoje o leitor que participa, discute e critica também produz conteúdo. É a inversão completa dos papéis até então convencionados. E sim, a Web 2.0 é uma das principais responsáveis por este processo.

Mas o que é Web 2.0? 

O termo Web 2.0 é utilizado para descrever a segunda geração da World Wide Web – tendência que reforça o conceito de troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais. A idéia é que o ambiente on-line se torne mais dinâmico e que os usuários colaborem para a organização de conteúdo.

Segundo Tim O’Reilly, um dos criadores do termo, a principal regra seria desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva.

O que muda

Dentro do conceito de web 2.0 surgem ferramentas que permitem o tipo de interação do qual estamos falando, como os blogs, os sites de compartilhamento de vídeos e fotos, enciclopédias construídas coletivamente, sites de grandes veículos que abrem espaço para o leitor produzir matérias e enviar fotos. Enfim, a linha unidirecional da informação jornalista – leitor foi cortada e todos os pontos da rede produzem, consomem, criticam, comentam e disputam fontes.

É claro que o papel do jornalista não é diminuído nesse contexto, mas é importante que os profissionais da área entendam que um certo teor “fiscalizador” está instalado na rede e que se deve ter cada vez mais rigor com a apuração. Além disso, cada vez mais produtores de conteúdos, principalmente os especializados, apresentam-se como novas fontes aos jornalistas.

Imagem: eboy XV

Primeiro leilão público de carbono do país será realizado em setembro

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) anunciou que realizará no dia 26 de setembro o primeiro leilão público de 808.450 créditos de carbono. Estes créditos, representados por Certificados de Emissão Reduzida (RCE), foram adquiridos pela prefeitura de São Paulo a partir do controle da emissão de gases geradores do efeito estufa (GEE) no aterro Bandeirantes.

Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) corresponde a um crédito de carbono. Esta é a primeira experiência mundial de leilão de RCE no mercado à vista a ser promovido por uma bolsa regulada.

A prática atual de mercado é negociar as operações com crédito de carbono no chamado mercado de balcão, ou seja, os negócios acontecem diretamente entre as empresas com a intermediação de instituições financeiras ou consultorias.

No caso da BM&F, o leilão será realizado pela Internet e os créditos de carbono poderão ser negociados por investidores internacionais. A prefeitura espera arrecadar cerca de R$ 30 milhões com os negócios realizados durante o leilão e os recursos serão utilizados em intervenções de requalificação ambiental específicas para beneficiar a população que vive no entorno do aterro.

Como participar
Para participar do leilão de venda de créditos de carbono, as empresas interessadas terão prazo até o dia 3 de setembro para entregar os documentos exigidos para o processo de habilitação. Os requisitos para participação no leilão estão disponíveis no endereço eletrônicowww.bmf.com.br/leilaocarbono

Créditos de carbono no Brasil
Há ainda uma falta de consenso sobre a efetividade do mercado de créditos de carbono para a diminuição da emissão de gases. Entretanto, mesmo com a falta de regulamentação no setor, as negociações de RCEs movimentaram US$ 6 bilhões, em 2006, segundo a advogada especialista em Meio Ambiente e Créditos de Carbono, Roberta Leonhart, em entrevista a revista Consultor Jurídico.

Novidade nas bancas

Chega às bancas de todo o país a revista Le Monde Diplomatique Brasil. O periódico mensal trará as matérias publicadas nas edições francesas além de conteúdo totalmente brasileiro segundo o editor José Tadeu Arantes: “é necessário desvelar a lógica subjacente aos assuntos ambientais, econômicos, sociais, políticos e culturais em discussão no Brasil”.

A primeira edição (agosto) traz matérias que vão de Amazônia até Fundamentalismo. A diversidade de temas e profundidade das discussões é o grande diferencial da publicação, que já completa 11 anos na França (quando teve a linha editorial desmembrada do jornal Le Monde).

A edição traz também uma entrevista com o matemático e filósofo Antanas Mokus, ex-prefeito de Bogotá responsável pela inversão de um quadro de violência praticamente institucionalizado na capital por um processo de integração cidadã, que já começa a servir de modelo a vários países, inclusive o Brasil.

Serviço
Disponível nas bancas – R$ 8,90.
Site: http://diplo.uol.com.br/
Responsável institucional pela publicação: Instituto Pólis

Não entendo como o Estadão fez isso…

Todos sabem que o Estadão é um veículo de grande respeito na mídia nacional, e que, independentemente de sua linha editorial, presta grandes serviços ao país com excelentes coberturas e equipe profissional de primeira qualidade.

Há umas duas semanas, o jornal que pensa “ÃO” colocou no ar o novo portal (os clipadores (as)sentiram a diferença). O layout ficou mais claro e intuitivo, além de ser mais fácil encontrar as notícias (notei uma certa semelhança com o portal do El País). Até aí tudo ótimo! A tecnologia está aí para melhorar a forma de trabalho das pessoas entre outras coisas.

O problema (na verdade um deles) é a propaganda de lançamento do novo portal feita para a TV e de autoria da agência Talent. O vídeo apresenta uma pessoa utilizando frases de um blog para complementar seu projeto de pós graduação . Em seguida mostra um macado publicando informações no referido blog. E daí surge o Estadão com conteúdo confiável e alertando aos internautas para buscarem informações onde não há riscos…

Veja só:

O que surpreende é que o próprio Estadão tem excelentes blogs hospedados (já abriu espaço inclusive para o blog do jornalista Ricardo Noblat, que se tornou uma referência no país) e que, na linha da Web 2.0, cujo conceito é a troca de informações e colaboração dos internautas com sites e serviços virtuais, é como se o veículo simplesmente desse as costas para um meio de comunicação em potencial e que só tende a crescer

Agora, a campanha impressa:

Não entendo como uma campanha desse tipo foi autorizada pelo veículo. Considero um retrocesso, uma falta de visão e uma incongruência este tipo de campanha (esta mensagem não cabe em lugar nenhum).

É sabido que grandes estudiosos lançam blogs para compartilhar com maior agilidade suas pesquisas, assim como pessoas querem escrever simplesmente o que fizeram no dia. Está no internauta a capacidade de procurar as informações que lhe são úteis. E posso dizer com toda a certeza que o Estadão não é o único que dispõe de informações “confiáveis”.