Arquivo do mês: setembro 2007

Os Malvados de André Dahmer

Daniel Bastos

Dahmer é ilustrador, pintor e cartunista que tem uma característica incomum aos artistas plásticos contemporâneos: a originalidade conexa. Em seu site ele dá uma pequena amostra de seus variados traços na área Galeria e Desenhos, mostrando-se um artista que não se faz escravo de um suporte, trabalhando em tela, papel e em ferramentas gráficas de computador.

Recentemente lançou seu segundo livro, o Livro Negro de André Dahmer, no qual amplia suas percepções para além dos Malvados, sua publicação anterior. Seus personagens mais famosos são chamados de “As flores do mal” pelos criadores de seu verbete na Wikipedia, nome justo que consegue suprir a relutância do autor em batizar os dois. Mostra seu lado politizado com o Projeto Obras, com manifestações nada convencionais e o blog oficial, no qual recomenda outros artistas e aponta absurdos, tanto governamentais quanto de puro cotidiano que, de tão frequentes, são tragicômicas inspirações para as tiras mais ácidas.

Meios de comunicação convencionais, desde jornais locais que publicam as tiras até a recente adição do personagem Emir Saad no portal G1 , costumam fazer as mesmas perguntas e os mesmos comentários contidos e de dimensão filosófica reduzida, resumindo os Malvados a tiras de humor que “beiram o negro”. O que não se percebe é sua crítica explícita a algumas facetas modernas brutais com as quais a sociedade convive e não consegue mais enxergar, apenas absorve. Dahmer consegue transmitir a mensagem naturalmente, sem clichês, preconceitos, paixões ou dramalhões. Verdade intravenosa.

Abaixo, André Dahmer responde a algumas perguntas esclarecedoras:

– Os Malvados são um meio de expressão da sua visão do mundo?

Dahmer: Não. Malvados é uma caricatura dos dilemas contemporâneos.

– Inspiração para os roteiros não falta, mas existe alguma perspectiva-padrão sobre como falar sobre o assunto abordado? 

Dahmer: Não existe em meu trabalho método algum. Não trabalho com fórmulas e sim com processo criativo, sempre caótico por natureza.

– Ao criar os Malvados a intenção era claramente crítica, mas de uma forma com a qual poucos estão habituados. Teve problemas com interpretações, conforme aumentavam as visitas diárias? 

Dahmer: Não tive muitos problemas, apenas alguns e-mails de reclamação para os editores que publicam meus quadrinhos em jornais ou revistas. Mas não tenho a pretensão de ter um trabalho unânime, que agrade todo mundo.

– Passar férias em baixa temporada no Ziniguistão é uma boa pedida?

Dahmer: É. Lá é mais seguro que ir ao Rio de Janeiro e mais bonito que São Paulo.

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Google ecológico

A empresa de mídia on-line australiana Heap Media lançou em janeiro deste ano uma ferramenta ecológica de buscas. A idéia é simples: a cada vez que o usuário acessa o Blackle, de fundo preto, no lugar do Google tradicional, ele está economizando energia.

A idéia surgiu no blog Ecoiron, cujo autor, Mark Ontkush, descobriu que, para exibir uma tela totalmente branca, um computador usa cerca de 74 watts; ao passo que telas de fundo preto consomem 59 watts.

Se for considerado que o número de acessos diários do Google gira em torno de 200 milhões, se o maior site de buscas do mundo usasse figurino preto, muita energia seria economizada.

Peculiaridades felinas

Joana não esperava tanto, mas quando viu Maria Inês dar a luz a quatro, ficou extasiada. Não é sempre uma gata consegue tal feito. “Sou avó”, dizia com total satisfação de quem vê a família aumentar. O parto aconteceu há uma semana e não teve complicações.

Maria Inês é proposital. Joana sempre deu nome de gente aos animais que criou. Atrocidades como João Gilberto, Caetaninho, Fafá de Belém e Fátima são alguns dos nomes que deu a seus incontáveis gatos.

Hoje, viúva e aposentada, Joana só vive para Maria Inês. Agora então que a Angorá deu a luz a quatro, a vida renasceu naquela velha casa da CSA 3 em Taguatinga, Distrito Federal.

Todo o cuidado do mundo agora é dispensado aos bebês. Desde a cama nova às rações especiais para lactantes. Maria Inês tem um olho azul e outro verde. Chegou à casa de Joana com dois meses de vida e hoje tem dois anos.

Fez suas primeiras marcas no sofá amarelo que era o móvel mais requintado da casa. “Gatinha de bom gosto”, conformava-se Joana, que nunca teve filhos.

O finado Sebastião (Deus o tenha) é que não se conformava com a situação. Odiava gatos e sempre que Joana chegava com mais um, ele dava escândalos estratosféricos, daqueles que a rua inteira já conhecia. Ela nem se importava mais. No fim acabava cedendo e ainda ajudava a criar os bichanos.

Agora Joana está preparando a Água Boricada em um algodão para limpar os umbigos. Sim, eles caem depois de uma semana (e ficam horrorosos antes disso). Maria Inês nem se importa com a presença da anfitriã. Em seus pensamentos felinos soam coisas do tipo: “ela definitivamente não sabe como se faz…”

E Joana, em sua ignorância do universo de Maria Inês continua limpando os umbigos… Ela faz festa pra nova mamãe, que não está nem aí, sempre com aquele olhar de quem está vendo nuvens.

Maria Inês está comendo bastante. A fome não acaba, e os bebês não param de mamar. Eles dormem mamando. E se a mãe resolver sair por 5 segundos é choro do quarteto na certa. Mas para quem tem avó por perto, a vida é um paraíso.

Joana está sempre lá como se dissesse: “Vai dar uma volta Inês, você tá precisando descansar”. E ela vai mesmo; com aquele andar de dona do mundo, o rabo felpudo e focinho achatado. Vai subir no muro e dar uma espiada na rua. Quer dar um tempinho da vida de mamãe.

35 a 40 – 6 abstenções

Quero que a galera “apolítica” que em toda eleição defende o VOTO EM BRANCO ou NULO entenda bem o que acontece quando simples 6 Senadores resolvem seguir o mesmo caminho. Fica o recado.

Foto: Jamil Bittar

Aqui vai um trecho do livro Quem manda, por que manda e como manda de João Ubaldo Ribeiro: ” Assim, quando estamos pensando em cuidar de nossa vida apenas, sendo “apolíticos”, na verdade estamos somente com a vista curta ou então somos comodistas, não achando que as coisas estão tão ruins assim, para que procuremos fazer algo para mudá-las.

Quando alguém diz, como é freqüente lermos em entrevistas aos jornais, que “não liga para a Política”, está naturalmente exercendo um direito que lhe é facultado pelo sistema político em que vive. Ou seja, em última análise, está sendo um político conservador, não vê necessidade de mudanças. Então não é apolítico, palavra que indica “ausência de Política”.

No máximo, falta-lhe a consciência de seu significado e papel político — significado e papel que todos têm —, uma coisa muito diferente. Pois o apolítico não existe, é somente uma maneira de falar, por assim dizer.”

O vizinho esporádico II

Para quem não leu a apresentação deste ilustre camarada é importante clicar aqui.

Hoje o vizinho esporádico cujo nome ainda não descobri mesmo tendo nosotros quase 5 anos de convivência está dissecando o repertório do Stevie Wonder. Nada eu teria contra este fabuloso cantor e muito menos contra meu vizinho, mas acontece que são 3 da manhã e juro que se não tivesse que trabalhar amanhã, até desceria para apreciá-lo mais de perto (se bem que os pulmões dele têm capacidade de ressoar em várias quadras próximas).

Acho que nossa relação está desgastada, e creio que o barulho que ele está fazendo contribui de alguma forma para este desgaste. Bem, enquanto ele faz malabarismos com o idioma inglês posso contar um pouco do dia dele.

Pela manhã dormia na calçada como um bebê em um colchão de verdade (não me perguntem como ele conseguiu) acompanhado de outros três amigos e acredite-me: estavam no mesmo colchão. Quando acordou começou a esbravejar todas as pragas possíveis e a xingar até os pombos que estavam por perto.

Algum tempo depois comprou um pão na padaria do outro lado da rua e implicou com algumas crianças que estavam a caçoar dele. Voltou para o outro lado, comeu o pão, resmungou, e começou a via crucis diária. Atravessou a rua novamente, dessa vez rumo ao bar que fica ao lado da padaria e comprou uma cachaça daquelas de vidro pequeno, uma Coca-Cola e um abacaxi. Esta eu já sei que é sua fruta favorita.

Após a mistura fatal ele tira não sei de onde um par de óculos escuros estilo Marilin Monroe(ele já havia feito isso antes) e começa a dançar um tango-valsa-salsa-merengue-lambada. Depende do que ele escolhe cantar para produzir o ritmo. É uma outra pessoa.

Em seguida, alguém o aborreceu. Perdi essa parte, mas pelo humor com que ele ficou de repente, aposto na implicância de alguém que estava por ali. Ele é muito sensível a críticas. Daí até a hora do almoço foram só farpas. Algumas que nem posso escrever aqui devido ao grau de esculhambação.

Quando passa a raiva, ele sempre senta com os pés na rua, o bumbum na calçada e os cotovelos entre as pernas. Acho que é assim que ele reflete durante a loucura. Às duas da tarde o vidrinho de cachaça já estava seco. O abacaxi continuava lá.

Uns momentos a mais e ele aparece com uma marmitex. Come e dorme. Agora o silêncio toma conta deste domingo de fim de feriado. O barulho só volta quando ele acorda às 7 da noite pronto para a noitada que me tira o sono pré segunda-feira.

Ouço algumas coisas do tipo “meu bem, meu zen, meu mal”, ou “sei-lá-alguma-coisa-em-inglês” ou mesmo “ela me deixou”. Continuo não sabendo do que ele sofre, mas sei de como ele tem procurado escapar. A cada temporada deste vizinho na quadra ao lado, ele me parece menor. Como se estivesse murchando aos poucos. Um dia conversarei com ele.

Mas enquanto isso é Stevie Wonder quem embala minha insônia…

Independência ou independência

Hoje é um excelente dia para o povo brasileiro refletir sobre sua condição. Referências a Dom Pedro à parte, a realidade social deste país poderia começar a viver uma nova fase.

Uma população que precisa de apoio financeiro, como o programa Bolsa Família, (não criticando aqui as ações sociais do governo Lula) não tem qualquer condição de desenvolver conceitos políticos para aplicá-los em nossa “democracia”.

É lógico que quem passa fome tem esta urgência, e é esta a necessidade que interessa sanar em um primeiro momento. É preciso primeiro acabar com a fome.

Mas será impossível desenvolver ações para educar politicamente a população enquanto se trata de questão emergencial? Será este o ponto? A fome do intelecto não é tão urgente quanto à do corpo? Ou até que se tenha consciência da primeira?

É este tipo de dependência que se torna um bom ponto de partida para uma reflexão neste 7 de setembro. A independência das classes menos favorecidas em relação ao Estado; a independência de um processo, que, se não for bem conduzido, pode levar a uma relação de dependência exagerada e sem retorno.

O Bolsa Família é um programa necessário e que não pode ser utilizado como bandeira eleitoral no próximo pleito, já que este critério provavelmente será o mais adotado entre os eleitores.

Está na hora de se criar e implantar um outro tipo de programa social, aquele que educa o eleitor, que capacita pessoas que vivem na linha da pobreza a desenvolver condições mínimas de vida digna, sem a necessidade de recursos sociais diretos.

Este seria um bom momento para começar este tipo de ação. Esta é a nova independência que o povo brasileiro precisa.

Voluntários

Quer ser voluntário? Sabe por onde começar? Como trabalhar? A quem ou que instituição apoiar? O sitehttp://www.voluntarios.com.br/ pode dar uma ajuda nesta empreitada.

O canal reúne informações de entidades filantrópicas em todo o país por área de atuação (educação, terceira idade, cultura, meio ambiente, infância, etc). Existem hoje 5.200 instituições cadastradas.

O site foi criado em 1997, com o objetivo de abrir canais de participação para quem pretende apoiar projetos sociais. O diferencial é que os candidatos a voluntários também se cadastramformando um banco de dados disponível para consulta das instituições. Este banco soma hoje 23.680 voluntários (os dados são referentes aos últimos quatro anos).

Quando o voluntário encontra uma instituição onde ele pode atuar, basta entrar em contato e agendar uma visita. Depois disso é só começar o trabalho.

Segundo Leila Lorenzi, coordenadora da iniciativa, a maioria das entidades beneficentes no Brasil ainda são muito pequenas, e não têm programas de voluntariado.

Entretanto, qualquer pessoa pode ser voluntária, independente do grau de escolaridade ou idade, o importante é ter boa vontade e responsabilidade.

Números 

Dentre os estados brasileiros, São Paulo é o que apresenta o maior número de voluntários cadastrados (e conta também com o maior número de entidades cadastradas), com 53,78% do total. Em seguida vem o Rio de Janeiro com 12,69%. O Distrito Federal está em sétimo lugar, com 3,25% das participações. Os dados são de 31 de agosto.

Das 43 áreas de atuação cadastradas as crianças estão em primeiro. A categoria detém 24,65% dos voluntários. Em seguida vem “Educação”, com 12,10%. Em último lugar está a categoria “Prevenção do crime” com 0,10%.

Alguns pontos importantes para quem quer ser voluntário: 

  • É possível que alguma tentativa de ajuda não dê certo, mas é importante não desistir até encontrar a instituição em que se possa trabalhar da melhor forma.
  • Seja humilde. O fato de você ajudar não significa que você será paparicado e que seu trabalho não possa ser criticado.
  • O trabalho voluntário exige o mesmo grau de profissionalismo que em uma empresa, se não maior.
  • Existem regras a seguir, por mais meritória a causa, e não desanime se nem todos vibrarem e baterem palmas pelo seu trabalho.