Os Malvados de André Dahmer

Daniel Bastos

Dahmer é ilustrador, pintor e cartunista que tem uma característica incomum aos artistas plásticos contemporâneos: a originalidade conexa. Em seu site ele dá uma pequena amostra de seus variados traços na área Galeria e Desenhos, mostrando-se um artista que não se faz escravo de um suporte, trabalhando em tela, papel e em ferramentas gráficas de computador.

Recentemente lançou seu segundo livro, o Livro Negro de André Dahmer, no qual amplia suas percepções para além dos Malvados, sua publicação anterior. Seus personagens mais famosos são chamados de “As flores do mal” pelos criadores de seu verbete na Wikipedia, nome justo que consegue suprir a relutância do autor em batizar os dois. Mostra seu lado politizado com o Projeto Obras, com manifestações nada convencionais e o blog oficial, no qual recomenda outros artistas e aponta absurdos, tanto governamentais quanto de puro cotidiano que, de tão frequentes, são tragicômicas inspirações para as tiras mais ácidas.

Meios de comunicação convencionais, desde jornais locais que publicam as tiras até a recente adição do personagem Emir Saad no portal G1 , costumam fazer as mesmas perguntas e os mesmos comentários contidos e de dimensão filosófica reduzida, resumindo os Malvados a tiras de humor que “beiram o negro”. O que não se percebe é sua crítica explícita a algumas facetas modernas brutais com as quais a sociedade convive e não consegue mais enxergar, apenas absorve. Dahmer consegue transmitir a mensagem naturalmente, sem clichês, preconceitos, paixões ou dramalhões. Verdade intravenosa.

Abaixo, André Dahmer responde a algumas perguntas esclarecedoras:

– Os Malvados são um meio de expressão da sua visão do mundo?

Dahmer: Não. Malvados é uma caricatura dos dilemas contemporâneos.

– Inspiração para os roteiros não falta, mas existe alguma perspectiva-padrão sobre como falar sobre o assunto abordado? 

Dahmer: Não existe em meu trabalho método algum. Não trabalho com fórmulas e sim com processo criativo, sempre caótico por natureza.

– Ao criar os Malvados a intenção era claramente crítica, mas de uma forma com a qual poucos estão habituados. Teve problemas com interpretações, conforme aumentavam as visitas diárias? 

Dahmer: Não tive muitos problemas, apenas alguns e-mails de reclamação para os editores que publicam meus quadrinhos em jornais ou revistas. Mas não tenho a pretensão de ter um trabalho unânime, que agrade todo mundo.

– Passar férias em baixa temporada no Ziniguistão é uma boa pedida?

Dahmer: É. Lá é mais seguro que ir ao Rio de Janeiro e mais bonito que São Paulo.

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3 Respostas para “Os Malvados de André Dahmer

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