Arquivo do mês: outubro 2007

quanto vale o arco-íris?

Manu Carvalho

‘in rainbows’ é o nome do sétimo trabalho da banda inglesa radiohead, lançado há uma semana, e que já gerou muitos e muitos comentários em sites de notícia, relacionamento e blogs. o motivo é simples: você escolhe quanto quer pagar pelo álbum, que está disponível apenas pela internet. se você colocar lá “quero pagar 0 euro” ou “4 euros”, consegue baixar. colecionadores podem ainda encomendar o formato discbox que sai em dezembro, que tem como brinde um cd extra, fotografias digitais e artwork que sai, se não me engano, por 40 euros.

em tempos de crise da indústria fonográfica, algumas bandas independentes já fazem esse tipo de promoção, até nacionais, como mombojó e b negão e os seletores de frequencia, que disponibilizam seus álbuns para download gratuitamente na net. a iniciativa foi abraçada pelo radiohead, que está sem gravadora no momento, e não lançava um novo trabalho há quatro anos, com o diferencial, é claro, do “quer pagar quanto”. talvez por isso, a sacada soe das mais inteligentes, uma vez que o público é naturalmente arrastado pelo “baixar e baixar álbuns sem ter fim” (no fundo ciente de que essa não é a única fonte de renda das bandas) e, ao mesmo tempo, está atenta ao pensar ‘quanto eu pagaria para ouvir o novo do radiohead?’, questão que implica na valor qualitativo do trabalho dos moços de oxford. há quem julgue incontestável. há quem não tenha gostado e até justifique isso a oferta casas bahia. será?

essa conversa me fez lembrar de elton john, que dia desses pediu o fim da internet para salvar a indústria musical, magoado com o fracasso de seu último trabalho, que vendeu apenas 100 mil cópias. segundo ele, tudo por culpa dos downloads. penso que o sr. elton john tem é que pegar umas dicas no mercado independente e mudar de vez sua estratégia, porque, se a moda pega, o que não vai faltar é internet para música. e nem música para internet.

acredito mesmo que esse negócio de baixar legalmente e, ao mesmo tempo, de graça, assusta. digo isso porque, lendo comentários de fãs e críticos sobre ‘in rainbows’, dá pra sentir uma comparação tremenda dos trabalhos anteriores do radiohead com o recém-lançado. daí muitos dizem ‘ah, eu não devia ter pago nada por esse álbum’, o que é, no mínimo, um erro. música também requer maturação, busca pela plenitude e, claro, reconhecimento. não vamos querer que o radiohead de ‘high and dry’ e ‘fake plastic trees’, lançadas há 12 anos, mantenha-se fiel ao experimentalismo da hora. tudo muda, seja deixando a guitarra como mero coadjuvante, a bateria mais suave que o comum ou o vocal de thom yorke e elementos diversos mais expressivos. isso radiohead consegue em ‘in rainbows’ com muita sutileza. e convence.

minha dica é: ouça ‘in rainbows’ com tempo, carinho e sensibilidade. afinal, o álbum foi lançado há uma semana, apenas. para a experiência, sugiro iniciar com ’15 step’, faixa-abre que tem sons de crianças no backing. ‘nude’, pela leveza vocal e instrumental, ‘weird fishes/arpeggi’ e ‘reckoner’ por serem simplesmente radiohead e lembrar, mesmo que vagamente, a essência do quinteto inglês.

você deve estar se perguntando: para uma rasgação de seda dessas, quanto você pagou para ouvir ‘in rainbows’? isso não importa. é garantido que, independente do valor em euros, radiohead ainda ‘vale quanto pesa’ em qualidade.

baixe in raibows
http://www.inrainbows.com/Store/Quickindex.html

site do radiohead
http://www.radiohead.com/

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Quem é o culpado?

Katiuscia Leles

Cabisbaixa, inundada de sentimentos doloridos da evolução. Os quinze anos que passaram, ficam na memória como se fossem de ontem, me rebato e tento não aceitar.

Tudo isso porque acordei durante a madrugada com a sensação de ter esquecido a porta aberta, e preciso conferir. Antes, isso não tinha a menor importância na minha vida. E o pensamento começou a circular pelas evoluções que sofremos.

As cobranças sociais de um comportamento adequado à idade, não se encaixam na minha cabeça, às vezes pré-adolescente. Sou responsável. Aceito meus trinta anos.

Mas confesso que sinto saudades de me jogar de roupa na piscina, correr como se tivesse acabado de aprender a andar, dançar freneticamente passos recém elaborados, falar alto e gesticulando, chorar simplesmente porque deu vontade, ouvir Janis no último volume quando estou triste e como era bom sonhar com a revolução do mundo, ou simplesmente melhorá-lo. Mas infelizmente, o mais importante não depende só de mim.

Existem coisas que ainda posso fazer, surtos infantis. Posso até parecer meio louca ou mesmo irresponsável, para alguns conservadores. E os meus pais?

Lembro das brigas homéricas que tive com meu pai por conta das diferenças partidárias. Comprei um partido, um ideal. Hoje, tenho minha opinião política e não partidária, mas não acredito que seja necessário desbravar minhas opiniões contra todos que discordam, porque infelizmente eu sei que não podemos mudar o mundo ou as pessoas. Não pela política. Meu sonho por um mundo melhor não acabou, meus ideais continuam.

Podemos sim, mudar nossos hábitos, fazer uma transformação social e, antes de falar mal da corrupção, experimente: encontrar um amigo no começo de uma fila e não tirar proveito disso; não jogar lixo na rua, nenhum por menor que seja; usar camisinha; conversar mais com seus filhos e pais; tomar banhos mais curtos; fazer tudo dentro do prazo estabelecido; não fazer amizades por interesse; cumprir os seus deveres antes de cobrar os seus direitos e respeitar os direitos dos
outros.

Atitudes difíceis para alguns. Mudar um comportamento confortável incomoda. Mas é só isso que os políticos fazem. Coisas pequenas e corriqueiras do dia-a-dia, hábitos comuns a quem está acostumado a pensar só em si mesmo. A ilusão adolescente de que eu posso mudar o mundo, mudou completamente de ângulo.

Enquanto atribuía a responsabilidade dessa mudança aos políticos, esquecia que a mudança só pode ser feita a partir da mudança de comportamento de cada indivíduo. Quantas coisas nós podemos fazer para melhorar o mundo?

Não depende só dos políticos não. É claro que eles podem ajudar bastante. Mas, não é só por isso que os braços devem se cruzar diante de tanta sujeira. A omissão é só uma justificativa para a falta de comprometimento com o que se espera do mundo, que não está lá dentro do Congresso. Está aí, dentro da sua casa, na maneira como usamos ou descartamos as coisas.

Quanto à política, nós podemos pensar melhor na hora de votar, e se o seu voto foi errado ou se o seu candidato fez alguma besteira, nós podemos e devemos reclamar.

Os parlamentares e os 2.000 projetos

G1 fez um levantamento apontando que desde o início da legislatura (fevereiro deste ano), os parlamentares apresentaram 2.161 projetos de lei, mas destes, apenas 1 foi transformado em lei.
Ainda assim, a proposição felizarda, apresentada pelo do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN), tratava da alteração da Lei nº 9.096, de 1995, para estabelecimento do critério de distribuição do Fundo Partidário. Ou seja, qual a reelvância deste tipo de lei para a população levando-se em conta uma série de questões emergenciais?

Os deputados alegam que a morosidade se dá pela série de medidas provisórias que tiveram que avaliar. Nesse contexto é importante levar em conta:

    • A população não acompanha e cobra como deveria os trabalhos no Congresso

 

    • Trabalhar três dias na semana afeta sobremaneira o rendimento de qualquer grupo de trabalho

 

  • Se esta equipe trabalhasse no setor privado e apresentasse uma produção como esta, já estaria demitida

O trabalho não é simples, mas diante de resultados como este, qualquer consultor de recursos humanos diria que esta equipe não está apta a gerir qualquer tipo de projeto.

como la cigarra

Manu Carvalho

esmagada. asas abertas. lá estava a cigarra, enfeitando sutilmente a escada do coletivo. logo ela, que há pouco movimentara um bocado as patas na tentativa de alcançar o solo novamente, se ver livre daqueles degraus, voar pr’algum lugar distante dali e fazer uma serenata. naquele momento, aquela cigarra era eu. eu, que ao observar o movimento de suas patas a cada freada brusca sentia a mesma vontade de girar, de driblar aquele sacrifício que é tentar. e aquilo já era sofrimento demais. principalmente porque meu medo covarde de cooperar com a façanha era maior que a própria cigarra. ao mesmo tempo, mentalmente, pedia que não ousasse me ferir, como se ela fosse maior que eu. mas era tarde e eu já sabia demais o que era aquele sentimento de se estar emborcado. a vontade de voar, o medo da morte, a luta anônima, pequena e solitária da cigarra me excitavam como um jogo e, ao mesmo tempo, me causava asco. o que pensava a cigarra? no egoísmo que lhe devora a carne? na lança do medo que lhe fere? na expectativa que lhe frustra? na ansiedade que lhe destrói? eu não queria estar ali. nem ela. mas nós já éramos uma só naquela escada. e meus olhos fixos no refletor com as asas por baixo previam nosso fim, quando a porta se abriu e fui pisoteada também. esmagada. as asas abertas. lá estava eu, enfeitando sutilmente a escada. logo eu, que há pouco me movimentei um bocado na tentativa de alcançar o solo novamente, me ver livre daqueles degraus, voar pr’algum lugar distante dali e fazer uma serenata.

A Molvânia é logo ali

Quem adquirir ou tiver a oportunidade de pegar emprestado uma Revista Piauí deste mês (edição de primeiro aniversário) deverá receber junto o pequeno guia turístico de Molvânia, um país intocado pela odontologia moderna. A publicação, originalmente escrita em inglês, é vendida por US$ 6 na amazon.com.

O país imaginário possui um atípico modo de vida e cultura, e o guia, autodenominado de jetlag travel guide é uma dessas leituras que definitivamente não devem ser feitas em ocasiões de vôos extensos; isso porque o guia simplesmente causa choros e espasmos de risos e pode acentuar ainda mais os impactos da viagem.

O guia contém dados estatísticos, modo de vida, onde comer e até um mapa. Acreditem, a Molvânia está na Europa, perto da Albânia é dividida em quatro regiões: Planalto de Tchatchunka, Grande Depressão Central, Alpes Molvânicos e Estepes Fitzulas.

O país é considerado como a terra do povo baixinho e ranheta. Todos consomem generosas doses de conhaque de alho e existem grandes plantações de nabo.

A Molvânia ostenta muitas obras de arte notáveis, a maioria roubada da Itália no século XVI. Quanto à religião, para se freqüentar a igreja, o vestuário é muito exigente: as mulheres devem usar chapéu e minissaia e os homens devem abotoar pelo menos um dos botões da camisa, de preferência o do colarinho.

Como não poderia deixar de fazer, segue uma pequena transcrição sobre o país:

Música Floclórica

“A Molvânia possui uma tradição musical que remonta à Idade Média, quando pastores levavam consigo umakvkadra [corneta simples de latão para espantar lobos]. Infelizmente, o instrumento exercia um efeito semelhante sobre o público e, durante o século XVI, foi transformado no agora denominado zjardrill [tipo de gaita de foles de couro de cabra que se toca inflando os foles com o cotovelo esquerdo, enquanto se assopra em um tubo e se aperta um teclado com os pés]. Devido à complexidade técnica, o zjardrill só produz três notas. Ao som delas, pratica-se a tradicional dança mzazeruck, na qual um trio de jovens garotas faz um ziguezague, enquanto um círculo de homens tenta abate-las com um bastão cravejado de pregos enferrujados”.

Feminismo à parte, a Molvânia parece que simplesmente não tem noção da realidade e é isso que faz o guia ser uma excelente leitura para quem não quer se abalar com as coisas sérias do nosso cotidiano.

Video Games Live em Brasília – ATUALIZADO

Imagine uma orquestra sinfônica de altíssima qualidade, com osmelhores músicos de Brasília. Agora imagine todos os músicos vestidos com o rigor que exige a função em um palco cuidadosamente estruturado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

As luzes se apagam lentamente e de uma hora pra outra começa uma série de assobios, gritos enlouquecidos de uma platéia empolgantemente jovem. Eles vão assistir a mais de três horas de execução orquestrada de músicas dos mais famosos games da história.

Pois é, este é o Vídeo Games Live (VGL), um show inovador, que depois de passar por São Paulo e Rio de Janeiro chegou a Brasília ontem.

Os idealizadores – o maestro Jack Wall, que regeu a orquestra Sinphonia Villa-Lobos, deBrasília, e o compositor e praticamente show man Tommy Tallarico – foram excepcionais em suas performances. Esbanjaram simpatia e mostraram para que vieram.

No palco, o telão que vai exibindo as imagens dos jogos. A sincronia do vídeo com a execução da orquestra é perfeita. A cada música apresentada a garotada interagia de uma forma como nunca vi qualquer público interagir com uma orquestra. Temas de games como Sonic, Mario, Metal Gear Solid, Civilization, Tron, Final Fantasy, Zelda, Warcraft, Myst, Mario, StarCraft e Halo entre outros embalaram a noite.
Além da orquestra, a noite contou com a apresentação de artistas locais. A banda de rock 8Bit, apresentou os temas dos games Metroid e Street Fighter. O paulista Lucas Vandanezitocou no violão o tema de Mario. A platéia acompanhou.

Entre brincadeiras com o público e distribuição de prêmios, houve momento também para reflexão. Uma seqüência de imagens reais da Segunda Guerra Mundial que inspiraram o game criado por Steven Spielberg, Medal of Honor; foram exibidas durante a apresentação. O coral de 16 vozes esteve presente em quase toda a peça. A emoção tomou conta do lugar.

Outro momento de cair o queixo foi a apresentação do pianista Martin Leung. O vídeo do artista no You Tube teve mais de 40 milhões de visitas. Ele consegue reproduzir com todos os detalhes temas de games como Final Fantasy, Super Mario Bros e Zelda entre outros.

Em determinado momento, Tommy coloca uma venda em Leung e acreditem: ele realmente toca sem enxergar (muitos pensavam que ele só tocava assim nos vídeos…). Em determinado momento ele executou até um trecho de Garota de Ipanema e o Hino Nacional. Obviamente ele foi aplaudido por muito tempo e de pé.

Os apresentadores prometeram voltar no ano que vem.

Poema
Antes de começar o show a organização recitou um poema no telão que vale a pena ser reproduzido aqui. Era assim:

“Roses are #FF0000
Violets are #0000FF
All your base are belong to us”
A !idéia revista registrou o show. acompanhe a performance de Medal of Honor: