Quem é o culpado?

Katiuscia Leles

Cabisbaixa, inundada de sentimentos doloridos da evolução. Os quinze anos que passaram, ficam na memória como se fossem de ontem, me rebato e tento não aceitar.

Tudo isso porque acordei durante a madrugada com a sensação de ter esquecido a porta aberta, e preciso conferir. Antes, isso não tinha a menor importância na minha vida. E o pensamento começou a circular pelas evoluções que sofremos.

As cobranças sociais de um comportamento adequado à idade, não se encaixam na minha cabeça, às vezes pré-adolescente. Sou responsável. Aceito meus trinta anos.

Mas confesso que sinto saudades de me jogar de roupa na piscina, correr como se tivesse acabado de aprender a andar, dançar freneticamente passos recém elaborados, falar alto e gesticulando, chorar simplesmente porque deu vontade, ouvir Janis no último volume quando estou triste e como era bom sonhar com a revolução do mundo, ou simplesmente melhorá-lo. Mas infelizmente, o mais importante não depende só de mim.

Existem coisas que ainda posso fazer, surtos infantis. Posso até parecer meio louca ou mesmo irresponsável, para alguns conservadores. E os meus pais?

Lembro das brigas homéricas que tive com meu pai por conta das diferenças partidárias. Comprei um partido, um ideal. Hoje, tenho minha opinião política e não partidária, mas não acredito que seja necessário desbravar minhas opiniões contra todos que discordam, porque infelizmente eu sei que não podemos mudar o mundo ou as pessoas. Não pela política. Meu sonho por um mundo melhor não acabou, meus ideais continuam.

Podemos sim, mudar nossos hábitos, fazer uma transformação social e, antes de falar mal da corrupção, experimente: encontrar um amigo no começo de uma fila e não tirar proveito disso; não jogar lixo na rua, nenhum por menor que seja; usar camisinha; conversar mais com seus filhos e pais; tomar banhos mais curtos; fazer tudo dentro do prazo estabelecido; não fazer amizades por interesse; cumprir os seus deveres antes de cobrar os seus direitos e respeitar os direitos dos
outros.

Atitudes difíceis para alguns. Mudar um comportamento confortável incomoda. Mas é só isso que os políticos fazem. Coisas pequenas e corriqueiras do dia-a-dia, hábitos comuns a quem está acostumado a pensar só em si mesmo. A ilusão adolescente de que eu posso mudar o mundo, mudou completamente de ângulo.

Enquanto atribuía a responsabilidade dessa mudança aos políticos, esquecia que a mudança só pode ser feita a partir da mudança de comportamento de cada indivíduo. Quantas coisas nós podemos fazer para melhorar o mundo?

Não depende só dos políticos não. É claro que eles podem ajudar bastante. Mas, não é só por isso que os braços devem se cruzar diante de tanta sujeira. A omissão é só uma justificativa para a falta de comprometimento com o que se espera do mundo, que não está lá dentro do Congresso. Está aí, dentro da sua casa, na maneira como usamos ou descartamos as coisas.

Quanto à política, nós podemos pensar melhor na hora de votar, e se o seu voto foi errado ou se o seu candidato fez alguma besteira, nós podemos e devemos reclamar.

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