quanto vale o arco-íris?

Manu Carvalho

‘in rainbows’ é o nome do sétimo trabalho da banda inglesa radiohead, lançado há uma semana, e que já gerou muitos e muitos comentários em sites de notícia, relacionamento e blogs. o motivo é simples: você escolhe quanto quer pagar pelo álbum, que está disponível apenas pela internet. se você colocar lá “quero pagar 0 euro” ou “4 euros”, consegue baixar. colecionadores podem ainda encomendar o formato discbox que sai em dezembro, que tem como brinde um cd extra, fotografias digitais e artwork que sai, se não me engano, por 40 euros.

em tempos de crise da indústria fonográfica, algumas bandas independentes já fazem esse tipo de promoção, até nacionais, como mombojó e b negão e os seletores de frequencia, que disponibilizam seus álbuns para download gratuitamente na net. a iniciativa foi abraçada pelo radiohead, que está sem gravadora no momento, e não lançava um novo trabalho há quatro anos, com o diferencial, é claro, do “quer pagar quanto”. talvez por isso, a sacada soe das mais inteligentes, uma vez que o público é naturalmente arrastado pelo “baixar e baixar álbuns sem ter fim” (no fundo ciente de que essa não é a única fonte de renda das bandas) e, ao mesmo tempo, está atenta ao pensar ‘quanto eu pagaria para ouvir o novo do radiohead?’, questão que implica na valor qualitativo do trabalho dos moços de oxford. há quem julgue incontestável. há quem não tenha gostado e até justifique isso a oferta casas bahia. será?

essa conversa me fez lembrar de elton john, que dia desses pediu o fim da internet para salvar a indústria musical, magoado com o fracasso de seu último trabalho, que vendeu apenas 100 mil cópias. segundo ele, tudo por culpa dos downloads. penso que o sr. elton john tem é que pegar umas dicas no mercado independente e mudar de vez sua estratégia, porque, se a moda pega, o que não vai faltar é internet para música. e nem música para internet.

acredito mesmo que esse negócio de baixar legalmente e, ao mesmo tempo, de graça, assusta. digo isso porque, lendo comentários de fãs e críticos sobre ‘in rainbows’, dá pra sentir uma comparação tremenda dos trabalhos anteriores do radiohead com o recém-lançado. daí muitos dizem ‘ah, eu não devia ter pago nada por esse álbum’, o que é, no mínimo, um erro. música também requer maturação, busca pela plenitude e, claro, reconhecimento. não vamos querer que o radiohead de ‘high and dry’ e ‘fake plastic trees’, lançadas há 12 anos, mantenha-se fiel ao experimentalismo da hora. tudo muda, seja deixando a guitarra como mero coadjuvante, a bateria mais suave que o comum ou o vocal de thom yorke e elementos diversos mais expressivos. isso radiohead consegue em ‘in rainbows’ com muita sutileza. e convence.

minha dica é: ouça ‘in rainbows’ com tempo, carinho e sensibilidade. afinal, o álbum foi lançado há uma semana, apenas. para a experiência, sugiro iniciar com ’15 step’, faixa-abre que tem sons de crianças no backing. ‘nude’, pela leveza vocal e instrumental, ‘weird fishes/arpeggi’ e ‘reckoner’ por serem simplesmente radiohead e lembrar, mesmo que vagamente, a essência do quinteto inglês.

você deve estar se perguntando: para uma rasgação de seda dessas, quanto você pagou para ouvir ‘in rainbows’? isso não importa. é garantido que, independente do valor em euros, radiohead ainda ‘vale quanto pesa’ em qualidade.

baixe in raibows
http://www.inrainbows.com/Store/Quickindex.html

site do radiohead
http://www.radiohead.com/

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