Arquivo do mês: novembro 2007

Evo não pode ver a uva

Bolívia está cada vez mais parecida com o Brasil dos tempos ditatoriais. O presidente do país, Evo Morales anunciou a nova Carta Magna, a constituição da Bolívia. A aprovação aconteceu nesta madrugada em uma área militar na cidade de Sucre e foi votada praticamente pelospartidos da situação, com ausência da oposição. A nova constituição outorga mais poderes a Evo e agora os artigos devem ser votados um a um durante esta semana.

Três civis já morreram em confronto com a polícia durante manifestações. As críticas partem de todos os lados e segundo o jornal El País, Evo já começa a receber ligações de representantes de outros países preocupados com a situação.

O retrocesso que se apresenta pode ter vários motivos, mas um deles, com certeza é a falta de educação. Os cidadãos ainda não aprenderam a votar. Se votam, o fazem pelos motivos errados; e quando votam, não sabem como escolher. Nesse ponto devo recorrer a Cristovam Buarque e dizer que ele está certo ao bater na tecla da educação.

Dá medo o que pode acontecer na Bolívia. Um país, cuja queda do regime militar se deu em 1980, tem ainda a memória fresca do que é um tempo de ditadura. É hora de usar esta memória.

Foto: G1

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Código genético

Se você quer conhecer um código genético clique neste link: http://www.jcvi.org/. O código divulgado neste site pertence ao cientista Craig Venter, responsável pelo sequenciamento do código genético humano.

Alegria? Encanto!

Katiuscia Leles

Luzes acesas, lona, picadeiro e pipoca a peso de ouro.

Alegria, o show começou! Equilíbrio, força, coordenação, flexibilidade, domínio total sobre o corpo e várias gargalhadas. Um circo inteligente e adulto. Não acho que seja ideal para crianças com menos de sete anos, pode ser cansativo. Palhaçadas com algumas poucas palavras, ditas pelo único brasileiro da companhia.

– Queria um papel. Por que mesmo eu não trouxe o meu bloquinho? Merda, nenhuma caneta pra escrever num guardanapo.

Tinha que ser naquele exato momento. Tá, tá bom, tô escrevendo agora. Várias das sensações que senti naquele instante; dificilmente vou conseguir transcrever com a mesma intensidade. Adoro circo. Sempre gostei, quando criança sentia uma frustração enoooorme quando não tinham animais pelo palco. Depois que foi proibido no Brasil (e ainda bem que fizeram logo isso), eu já era adulta, concordei e apoiei.

Não adianta tentar me convencer que os animais são bem tratados. Comida e carinho (quando dão) não são suficientes. Jaulas e lonas, não devem ser muito confortáveis. Não quero reclamar, estou boba com o espetáculo Alegria do Cirque du Soleil, encantada com as habilidades humanas. É impossível explicar a sensação. Posso até descrever o espetáculo, mas é preciso estar lá, dentro daquele clima mágico que só o circo é capaz de transmitir.

É como se o corpo humano não tivesse limites. Como se todo aquele equilíbrio e agilidade fossem as coisas mais simples de se conquistar. Eu não acho. Mas gente, vamos combinar, encostar o bumbum na cabeça não deve ser nenhum pouco fácil pra criatura do lado sair dizendo que o espetáculo é cansativo.

Sim, talvez seja porque algumas pessoas acham que os homens são soberanos, que são inteligentes demais e por isso devemos explorar os animais em cima dos picadeiros.
O picadeiro? Acho que é um palco, sei lá. Com várias entradas e saídas, rampas, escadas e colorido por um jogo de luz que o renova para cada apresentação. Ele se abre e surgem camas elásticas, levanta e ilumina os artistas. O espetáculo passeia pelos corredores seduzindo quem assiste. Totalmente cheio de técnicas, graça e arte. Pessoas comuns da platéia, participam ainda que, simbolicamente de algumas apresentações e arrancam sorrisos de todos.

Tá vendo? Tinha um texto totalmente diferente na minha cabeça. Mas a sensação passou, só ficou a lembrança, que não chega a ser saudosista para arrancar suspiros de outrora. Enfim, diferente é como posso definir o espetáculo. Ah, também posso definir como surreal os preços cobrados.

Você pode levar várias lembranças: camisetas R$100, máscaras R$550 à R$1.900, canecas R$15 à 20, ou se preferir, pode levar o balde da pipoca como várias pessoas fazem ao fim do espetáculo e pagar a bagatela de R$13,00. Obrigada Marília, esse foi um presentão!