É preciso falar de Saramago

Não é porque vai virar filme de Fernando Meirelles. É porque emociona. Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago é uma leitura flutuante entre o real e o imaginário. Faz o leitor refletir se está emaranhado na própria cegueira, muitas vezes rasa.

As linhas diretas e sem pontuação conseguem exprimir no tom qual é o personagem da vez. É possível sentir a agonia de não enxergar, assim como a agonia de ver demais. Nenhum momento é sem propósito e as ligações entres os personagens é brilhante, como um fone sem fio.

Não existem nomes próprios. Saramago descreve os cegos por alguma característica. Assim os personagens são reconhecidos como a moça dos óculos escuros, o primeiro cego, a esposa do médico, o ladrão…

Não há bons e maus, há humanos, com falhas e virtudes. Há uma humanidade tentando viver com dignidade frente a uma enfermidade coletiva temporária.

“O meu caso já eu o tinha contado ao senhor doutor, disse o primeiro cego, tinha parado num semáforo, a luz estava vermelha, havia gente a atravessar a rua de um lado para o outro, foi então que fiquei cego, depois aquele que morreu no outro dia levou-me a casa, a cara não lha vi, claro, Quanto a mim, disse a mulher do primeiro cego, a última coisa que lembro de ter visto foi o meu lenço, estava em casa a chorar, levei o lenço aos olhos e nesse instante ceguei, Eu…..”

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