Arquivo do mês: março 2008

Da Folha


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Reservas indígenas ameaçadas

Janaina Goulart

Matéria publicada na revista Carta Capital dessa semana intitulada “Eldorado ameaçado” apresenta os movimentos parlamentares para a liberação da mineração em terras indígenas.

Para isso, eles estão de olho em um projeto de lei que prevê a modernização do Estatuto do Índio e que aguarda há 14 anos apreciação do Congresso. Por iniciativa de um grupo de deputados, pelo menos um capítulo previsto deve ir a votação: o que trata da exploração mineral em terras indígenas.

É absurdo existir boa vontade para aprovar um capítulo que vem de encontro exclusivamente a interesses comerciais e deixar o estatuto apodrecendo. A matéria mostra também que uma comitiva de parlamentares tentou pressionar comunidades indígenas (inclusive com presentes), como os Yanomami. Na ocasião a tribo os proibiu de entrar e deixou bem claro que não se interessam por extração minera e querem a revisão do Estatuto do Índio.

À frente da comitiva, o deputado e ex-garimpeiro Márcio Junqueira (DEM-RR) negou o ocorrido e disse que tudo se trata de um “discurso para tentar me desqualificar”. O deputado disse também que é contra a exploração de ouro na reserva Yanomami e apresentou argumentos bastante plausíveis para sustentar esta posição.

Entretanto, Junqueira é ex-garimpeiro; ajuizou uma ação popular contra a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol em 2005; encabeça forte oposição às comunidades indígenas no estado de Roraima; e fez campanha quando radialista (há três anos) para libertar 23 garimpeiros presos na Venezuela por crimes ambientais.

São situações como esta que trazem insegurança frente ao Congresso. É impossível identificar a natureza da índole dos parlamentares. Só acompanhando os movimentos de perto para entender o que realmente pensam e fazem. Cabe a nós, cidadãos, o papel de fiscalizadores constantes. Precisamos acompanhar e intervir.

A turbulência que não passou

Nas 491 páginas do livro “A Era da Turbulência –Aventuras em um novo mundo”, do ex-chairman do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (FED), Alan Greenspan, existem alguns sinais claros de que a crise do subprime estava por vir.

Entretanto, quando a crise abalou os mercados, os articulistas de todo o mundo condenaram a “frouxidão” da política de juros da era Greenspan à época em que o mercado imobiliário estava em seus anos de ouro. E as resoluções são sempre as mesmas: mercados irresponsáveis conseguem o socorro financeiro do país ao final de ciclos de grandes ganhos para não causar uma crise generalizada.

Independentemente da abordagem (é preciso ter cuidado para não internalizar temas dados por certo), acompanhar a trajetória deste economista que participou até de conversações com a Rússia pós União Soviética para apoiar na transformação da economia do país em um modelo capitalista é no mínimo, curioso.

O livro é uma viagem a um período de grandes transformações socioeconômicas. Ele foi e é sem dúvida uma testemunha ocular de bastidores políticos e econômicos inimagináveis.

Objetos de Desejo

Consumidores vorazes e exigentes já têm um lugar para chamar de seu. O blog Objetos de Desejotraz uma série de produtos inimagináveis e que de repente se tornam essenciais em nossas vidas, ou não: http://www.objetosdedesejo.com/.

Observação: Site não recomendado para consumidores compulsivos.

Votamos pelos motivos errados

Uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul em 2006, entre o primeiro e segundo turnos das eleições presidenciais revelou: a decisão de voto do eleitor é impactada diretamente pelas qualidades pessoais do candidato e indiretamente pela sua capacidade de governar.

Não estamos em período eleitoral (pelo menosnão declarado), mas em breve começarão as campanhas municipais. Brasília está fora desse páreo, o que não significa que não vá influenciar as candidaturas em cada um dos 5.562 municípios brasileiros.

Mas a questão é: estamos votando pelos motivos errados. Pode até ser que apostando apenas nas qualidades pessoais de um candidato, acertemos; mas podemos nos dar muito mal com esse critério digamos, “pobre”.

A lógica seria escolher um presidente como os gestores de recursos humanos recrutam funcionários em empresas. É claro que se espera uma certa empatia do candidato, mas o critério a ser avaliado primeiro é o da competência, não? Talvez apenas o carisma não traga resultados palpáveis…

Lembro da campanha do Collor em 89. Era bem criança, mas a imagem que ficava na cabeça era a de um homem moderno, geração saúde, com uma linda esposa. Quem não confiaria num homem desses? Minha mãe confiou. E hoje um sábio conhecido disse: “Não me assusto se Collor se candidatar a presidente”.

O pior é que é totalmente plausível. Se considerarmos que um político chega ao Senado após ter sido submetido a um impeachment presidencial, só se pode deduzir que ele tem MUITAS qualidades pessoais. E se o eleitorado brasileiro é guiado por essa característica, então as chances dele ser reeleito são realmente existentes.

A pesquisa realizada por Stefânia Ordovás de Almeida, Alam de Oliveira Casartelli, Marcelo Gattermann Perin e Cláudio Hoffmann Sampaio foi apresentada no XXXI Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD), em setembro de 2007. Foram analisados 201 questionários aplicados nas cidades de Porto Alegre e Caxias do Sul, as maiores cidades do Estado. A amostra é pequena, mas reflete bem a realidade.

Talvez a pergunta correta não seja “Sabemos votar?”, já que a resposta é bem clara, mas sim “Podemos aprender?”. Sempre há tempo, e como nossa democracia é bastante jovem, existem grandes possibilidades de evolução no processo eleitoral nos próximos anos. Para isso é preciso que mais pesquisas como esta sejam desenvolvidas e amplamente divulgadas. Falta ao povo o interesse.

Mafalda