Arquivo do mês: maio 2008

Indígenas selvagens?

Janaina Goulart

Um grupo indígena atacou um representante da Eletrobrás após ele ter feito uma apresentação de como seria o projeto de construção de uma usina hidrelétrica a ser instalada próxima à aldeia da tribo.

Não quero ligar para nomes, nem para cargos, quem falou o que, nem para quem está certo ou errado. Só quero manifestar que a mídia continua fazendo o joguinho de “índios selvagens atacam homem branco” e que isso é revoltante.

Não defendo a atitude da agressão (que pelo que vi na TV foi realmente séria), mas o que é impossível é a idéia de demonização pela qual os primeiros habitantes do território que hoje se chama Brasil são submetidos.

Só para contextualizar o temores e a atitude desesperada dos representantes da tribo, imagine se um dia chega um grupo de engenheiros que precisam desviar toda a água que abastece o prédio em que você mora para a construção de um super empreendimento nas redondezas. Isto vai fortalecer o comércio local e trazer o desenvolvimento. A idéia do progresso é ótima! Vai trazer mais investimentos para o bairro, talvez até valorize seu apartamento.

Mas a questão é: você e seus vizinhos precisam da água para viver, mas ninguém os ouve. Vocês reclamam, fazem um abaixo-assinado contra as obras, mas não são ouvidos. Daí um dia, o grupo de engenheiros resolve fazer uma palestra para você e seus vizinhos para dizer como é grandioso o projeto que eles têm em mãos, e que vão fazê-lo, e pronto.

Como toda a população do seu prédio se sentiria? Talvez desrespeitada? Humilhada? Constrangida? Pois bem, esse é exatamente o sentimento de centenas de indígenas que serão obrigados a mudar seus locais de plantação, sua terra, deixando parte de seu passado submersos em um lago artificial, necessário para o represamento da água.

Quantos deixarão de visitar e cultuar seus mortos porque os corpos estarão no fundo do lago? Para muitas pessoas isso não é importante, mas isso não vem ao caso. Estou falando de uma cultura que deve ser respeitada, reconhecida e admirada.

E quando escuto declarações de que a Polícia Federal vai intervir e “punir os infratores”, percebo como toda a questão foi reduzida a uma situação a ser enquadrada nos rigores de uma lei que não é igual para todos. Algumas coisas continuam iguais desde a colonização deste território por Portugal e a discussão sobre a causa indígena foi reduzida a achismos e sensacionalismo da mída…

Foto: AP

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Grau do surto

Dora Kramer

O Globo

A sandice subiu de grau em Brasília. Num mesmo dia, o ministro Paulo Bernardo disse que haverá um fundo soberano para financiar as empresas brasileiras no exterior a juros baixos e que será criada uma subsidiária do BNDES com o mesmo objetivo; o presidente Lula disse que vai salvar uma empresa que se afundou por sua única culpa e ainda circula a notícia de criação de uma nova Petrobras.

Vários países fizeram fundo soberano com seus excessos de poupança – o que não é o nosso caso; não temos excesso de poupança. O pior problema com o nosso fundo soberano é que, até agora, não se sabe com que dinheiro ele será constituído. Sabe-se que sairá em junho e sabe-se o objetivo: o ministro do Planejamento disse que será para “financiar” e “apoiar” as empresas brasileiras no exterior.

Financiá-las no exterior isso o BNDES já faz. Olhe só o metrô de Caracas, construído com financiamento do banco, e vários outros projetos. Já é com um dinheiro mais barato do que o Tesouro paga para se financiar. Mas o ministro avisou que o fundo foi um pedido do presidente Lula durante uma reunião para discutir a nova política industrial. E explicou que se uma empresa for “vender serviços, fazer incorporação de outras” poderá ser financiada por este mecanismo. Disse também que está se pensando em criar uma subsidiária do BNDES para fazer o mesmo trabalho.

Deu para entender? Difícil! O BNDES já faz um determinado trabalho, ainda assim, será criado um fundo – com dinheiro não se sabe de onde, mas provavelmente das reservas – e uma subsidiária de um banco estatal para oferecer o mesmo financiamento. O dinheiro do BNDES vem, em parte, do Fundo de Amparo ao Trabalhador e vai financiar compras de empresas brasileiras ou outros negócios no exterior. Será, mais do que nunca, o Fundo de Amparo a Empresários… e a alguns sindicalistas.

Quando um país atinge o grau de investimento, as empresas daquele país têm a vantagem de se financiar a custo mais baixo. E isso é tudo que o Estado deveria fazer por elas; já é o suficiente. Hoje uma grande companhia brasileira tem crédito onde quiser e paga juros mais baixos que nunca. Para que financiá-las com as reservas ou com o FAT quando elas correm risco externo?

A idéia, felizmente ainda não confirmada, de se criar uma nova Petrobras tem o mesmo grau de surto. Como a Petrobras quer que todas as reservas do pré-sal sejam concedidas apenas a ela, e isso é impossível, porque é uma empresa de capital aberto, o governo estaria pensando nessa idéia brilhante. Seria criada uma nova Petrobras, só estatal, que teria o monopólio da exploração do petróleo e do gás naquela faixa de profundidade. Se o governo fizer isso, estará recriando o monopólio que foi extinto pela Lei do Petróleo. O que existe hoje é o monopólio da União, e ela concede o direito de exploração em campos específicos, através de leilão. Se for criada uma nova empresa para ter esse monopólio, a União estará abrindo mão dele.

Como se todas essas idéias já não fossem estranhas o suficiente, em Manaus, o presidente Lula afirmou ontem que “o governo tem tentado criar as condições para salvar a Gradiente”. Disse que o companheiro Luciano Coutinho está encarregado disso e “vamos tentar fazer a nossa parte”.

Governos não devem salvar empresas em dificuldade, e foi nessa trilha que andou quando negou salvação à Varig, por exemplo. Por que salvar a Gradiente? Porque o empresário Eugênio Staub é amigo do presidente? Ela está quebrando no melhor momento para o setor. Como uma empresa de eletroeletrônicos, instalada numa zona livre de impostos, com benefício do dólar baixo na importação dos componentes da sua montagem, consegue quebrar numa hora como esta? Não há de ser culpa do BNDES; do governo. Por que os contribuintes deveriam pagar por isso?

Com idéias com tal grau de insensatez é que o Brasil pode abrir caminho para perder o grau de investimento. Tudo isto: “política industrial”, “apoiar empresa brasileira no exterior”, “salvar empresa” significa gasto público. E ampliação desses gastos é o que o governo não deveria fazer agora. Primeiro, porque eles estão aumentando acima do crescimento do PIB; segundo, porque este é o ponto fraco do país, reconhecido até pela agência que nos concedeu o grau de investimento; terceiro e mais importante: o contribuinte não está disposto a continuar indefinidamente pagando a conta de gastos públicos crescentes.

Como se todas essas decisões e declarações já não fossem suficientes para provar que há um certo grau de surto no governo brasileiro neste momento, ainda veio a declaração do presidente da República sobre mulheres.

Lula disse que a mulher quer quatro coisas; pela ordem: casa, casar com homem bonito e trabalhador, carro e computador. O presidente da República apequena, assim, o horizonte dos sonhos das mulheres a alguns bens materiais e um casamento. Nada sobre todos os outros avanços e conquistas que as mulheres têm conseguido duramente. Tudo o que ele pensa sobre as mulheres cabe no mais rasteiro dos estereótipos. O presidente revelou, mais uma vez, sua visão preconceituosa sobre a mulher. Queremos mais que isso, presidente! São maiores, mais amplos, mais numerosos e complexos nossos desejos e possibilidades.

Internet pode entrar em colapso em dois anos

Ethevaldo Siqueira

De O Estado de S. Paulo

O mundo está diante de uma nova previsão catastrófica: a do colapso mundial da internet em 2010, feita pelo vice-presidente de assuntos regulatórios da AT&T, Jim Cicconi, ao falar há duas semanas no Westminster E-forum, em Londres.

“A causa principal desse congestionamento brutal – disse Cicconi – é a massa crescente de downloads de vídeos combinada com a transmissão ou uploads de novos conteúdos de imagem que circulam na internet em todo o mundo. Em 2011, apenas 20 residências norte-americanas poderão gerar mais tráfego do que toda a internet mundial hoje.”

Embora essa comparação pareça exagerada, os especialistas dizem que não há como refutar os argumentos de Cicconi e demonstrar que o mundo não corre o risco de um congestionamento gigantesco. Para eles, o ritmo de crescimento do tráfego da internet é cada dia mais preocupante.

A cada minuto são armazenadas oito horas de vídeos no YouTube. Este é, no entanto, apenas um dos aceleradores do crescimento inimaginável do volume de informações que entra na rede. Outro fator de risco é o crescimento mundial das transmissões da TV digital, pois, com ela, milhões de clippings de vídeos de alta definição serão postados na web, exigindo de 7 a 10 vezes mais banda de freqüência do que os vídeos atuais.

No médio prazo, tudo tende a se agravar. Segundo prevê Jim Cicconi, a demanda por banda larga requerida pelos novos serviços em 2015 será 50 vezes maior do que em 2010. Além disso, países como o Brasil, a Rússia, a Índia e a China (os Bric) terão mais de 400 milhões de pessoas conectadas à internet nos próximos 2 anos.

SOLUÇÃO: US$ 130 BI

A única solução para se evitar o congestionamento total da rede mundial, segundo o executivo da AT&T, será investir cerca de US$ 130 bilhões na infra-estrutura, pois a atual arquitetura da rede deverá atingir os limites de sua capacidade em 2010.

Demi Getchko, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, considera alarmistas e exageradas as advertências do vice-presidente da AT&T. “Essas previsões me lembram as do Bug do Milênio, no final da década passada. Mas ninguém pode negá-las de forma categórica.”Assim, por mais dúvidas que tenhamos sobre os riscos anunciados, é bom que o mundo invista adequadamente na infra-estrutura da rede. O mesmo ocorreu com o Bug do Milênio, que nos prometia quase o fim do mundo. A abreviatura Y2K (do inglês Year 2000) virou uma espécie de logotipo do apocalipse, previsto para ocorrer na passagem de 31 de dezembro de 1999 para o dia 1º de janeiro de 2000. Em poucas horas, o mundo viveria o colapso de milhões de sistemas computadorizados e bancos de dados e todas as suas conseqüências.

O milênio chegou e nada aconteceu. É claro que, diante de advertências tão dramáticas, repetidas ao longo de três anos, com insistência e sensacionalismo, o mundo acabou investindo não apenas na conversão de dois para quatro dígitos a representação do ano, mas, principalmente, na revisão dos sistemas de segurança ligados ao registro cronológico dos computadores.

Entre os especialistas, a preocupação varia, mas são raros os que vêem o futuro com otimismo. Depois de um alerta tão dramático, no entanto, o mundo talvez acorde em tempo e evite o pior em 2010, fazendo os investimentos necessários antes que ocorra o colapso.

TI VERDE

O bom senso não tem sido uma virtude coletiva da humanidade. O aquecimento global, a destruição das florestas tropicais, o esgotamento das fontes de água potável e os problemas decorrentes da poluição são exemplos da baixa capacidade de resposta de governos e países aos maiores desafios à sobrevivência do homem. Em sentido mais amplo, o que tem faltado é planejamento, visão de longo prazo e a consciência do uso adequado dos recursos.

Uma reação positiva, no entanto, parece estar chegando ao setor de tecnologia da informação (TI) com a chamada TI Verde ou, na expressão inglesa, Green IT, também chamada Computação Verde. Seus objetivos básicos são: reduzir o consumo de energia dos equipamentos eletrônicos, baixar as emissões de carbono no processo de fabricação, evitar a contaminação do meio ambiente com materiais altamente poluentes e assegurar a sustentabilidade da infra-estrutura de informática e de telecomunicações.

Em eletrônica, um dos aspectos essenciais é o da reutilização de aparelhos por escolas e entidades filantrópicas, com a reciclagem e o recondicionamento de equipamentos de áudio, vídeo, computadores, celulares e toda a parafernália digital de nossos dias. Numa reação recente, esses sistemas de TI verde levam em conta, também, três grandes aspectos: o homem, o planeta e a continuidade das atividades humanas.

Para debater temas como esses, será realizado em São Paulo no dia 29 de maio o seminário Green IT Brasil 2008, cujo foco principal será mostrar “Como as Empresas podem obter ganhos de eficácia com a adoção de políticas de TI” (informações no site http://www.interchangeRH.com.br).
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Radiohead não vai mais lançar álbuns pela Internet

Thom Yorke, vocalista do Radiohead, disse que não vai mais lançar álbuns livres para download. O que poderia se chamar de reinvenção da indústria da música, agora será uma não-reinvenção. Ainda bem que Madonna seguiu o caminho, com o álbum Hard Candy…