Manifestação ou carnaval?

Janaina Goulart

Cerca de oito mil trabalhadores do campo e da cidade e lideranças populares estiveram hoje na Esplanada dos Ministérios para participar da 5ª Marcha Nacional da Classe Trabalhadora. O tema da marcha este ano foi a defesa do emprego, da garantia de renda e contra os efeitos da crise financeira internacional.

 

Entretanto, com o lema “Desenvolvimento e Valorização do Trabalho”, não foi exatamente uma manifestação séria o que se viu no decorrer do Eixo Monumental. Trios elétricos, foguetes e música extremamente alta de tema desconexo com a “manifestação” é o que se pôde presenciar. A sensação de quem passava pela via hoje de manhã era a de que se estava em um carnaval fora de época.

Outro contratempo foi em relação ao trânsito. Enquanto a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirma em seu site que 35 mil trabalhadores marcaram presença (o que até justificaria a separação de três faixas do Eixo Monumental), a Polícia Militar do Distrito Federal afirmou que o número não passou de oito mil.

Agora os questionamentos que ficam são:

A Polícia Militar não tem um serviço de inteligência para este tipo de prevenção?
O custo envolvido em toda essa “mega operação” não seria melhor empregado em outro tipo de ação?

Em custos entenda-se: o recurso para pagar a estrutura da marcha (o caminhão, os cartazes e faixas, o operador de som, os foguetes, etc); a utilização do serviço militar para a manutenção da segurança; etc.

Por fim, as centrais sindicais entregaram aos presidentes da Câmara e do Senado um documento unitário contendo 18 propostas para enfrentar a crise, entre elas a valorização permanente do salário mínimo; correção da tabela do Imposto de Renda, com menos imposto sobre os salários; e redução da jornada de trabalho, sem redução de salários.

A iniciativa é excelente, é global, e mobilização social é sempre válida e necessária para a garantia dos direitos dos cidadãos. Mas se for para fazer graça com o dinheiro do trabalhador (que no fim das contas é quem estava pagando tudo ali) basta escrever o documento e entregar diretamente ao Congresso. O estardalhaço desvirtuado e sem propósito é muito caro.

A foto é de Elza Fiúza/ABr

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