Campus Party: Tim Berners-Lee diz que futuro da internet é voltar a suas origens

Globo on line

RIO – O criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, vaticinou nestas terça-feira na Campus Party, em São Paulo, que o futuro da internet é voltar a suas origens. Segundo ele, a chamada Web 2.0 pode ser extremamente frustrante para os usuários devido às diferenças entre programas e sistemas e à falta de controle dos usuários sobre suas próprias informações. Elas não devem mais ficar somente na mão de poucas empresas, afirmou.
– Na Web 3.0, isso tudo vai se tornar mais aberto e você terá mais controle sobre suas informações pessoais e sobre como quer usá-las – disse Berners-Lee.
Indagado sobre o que aconselharia ao novo presidente americano, Barack Obama, ele comentou que uma das coisas mais interessantes que Obama disse nos últimos tempos foi que os dados governamentais seriam abertos.
– Espero que isso signifique plataformas abertas. Há um novo movimento para que as pessoas e instituições linkem seus dados e os abram em vários campos, e Obama chega na hora certa para promover uma mudança com relação aos dados governamentais.
Berners-Lee defende telefonia celular como meio de inclusão digital
O pai da web disse que uma das tendências importantes no futuro da rede é sua aparição, em grau cada vez maior, nos telefones celulares. Para ele, a mobilidade pode ser uma boa solução para incluir digitalmente áreas rurais e remotas, mas não se deve pensar só nela.
– A internet deve ser acessada de todo tipo de aparelho, essa é sua característica. Estou criando uma fundação para tentar levar a grande rede aos 80% da humanidade que ainda não conseguem se conectar – afirmou.
– A conexão através de telefones celulares é fascinante, pois permite o acesso a pessoas que vivem em áreas rurais ou aquelas que sequer têm computadores – aponta Berners-Lee, destacando a mobilidade do sistema.
Berners-Lee foi incisivo sobre a questão da neutralidade na internet. Aludindo ao traffic shaping que operadoras e provedores costumam fazer, controlando o acesso à banda pelos usuários, ele disse que ninguém deveria monitorar em que sites navegamos e tentar bloqueá-los.
” A internet não precisaria de regras se os provedores se comportassem direito ”

Na verdade, a internet não precisaria de regras se os provedores se comportassem direito.
Ele evitou comentar o projeto de lei que tipifica crimes digitais no Brasil, mas deixou claro que os problemas de segurança e crimes que acontecem na grande rede nada mais são, em sua opinião, do que um reflexo da própria humanidade.
– A internet é uma ferramena poderosa, pode ser usada para coisas horríveis ou coisas maravilhosas, da mesma forma que qualquer outra ferramenta usada pela humanidade. Quando você me pergunta como sinto as ações na rede, está me perguntando, no fundo, o que acho da humanidade. E, quanto a ela, sou extremamente otimista. Acho que, quando as pessoas se reúnem para resolver alguma coisa, elas são capazes de fazer coisas fantásticas.
Para Berners-Lee, o futuro da internet será ainda mais interativo, com aplicações cada vez mais poderosas – muito mais do que as que existem agora.
– Em algum momento será possível virtualizar coisas a ponto que você será capaz de preencher parte de um cômodo com pixels, que estão ficando cada vez mais baratos – afirmou – E, com o movimento dos dados abertos e linkados entre si, se governos e empresas fornecerem à comunidade online seus dados brutos, poderão contar com o valor dessa própria comunidade para difundi-los.
” Em algum momento será possível virtualizar coisas a ponto que você será capaz de preencher parte de um cômodo com pixels ”

A Campus Party já conta com mais de 6.300 campuseiros inscritos e tem áreas que vão de robótica a case mods oriundos de diversos estados brasileiros e de outros países, como o Chile. Segundo o diretor de conteúdo, Sergio Amadeu, o grande trunfo da feira é a troca de informações entre diferentes tribos de usuários, como gamers, adeptos do free software, da fotografia digital e assim por diante. Na inaguração, à meia-noite de hoje, o governador de São Paulo, José Serra, classificou o evento como “a Fórmula-1 dos eventos de tecnologia”. Cerca de duas mil barracas estão instaladas no evento, cujo tamanho dobrou desde o ano passado.
A Campus Party é um encontro de aficcionados por internet e tecnologia que teve sua primeira edição em 1997, na Espanha. No ano passado ela chegou à América Latina, com eventos na Colômbia e no Brasil que reuniram respectivamente 2.400 e 3.000 participantes.

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