Uma viagem ao meio do mundo

Esta última semana no Equador me apresentou uma cultura rica, que vale a pena ser conhecida com profundidade. Infelizmente, o tempo não me permitiu conhecer Galápagos, mas só a capital Quito, que tem mais de 4 mil Km2, já é impossível de conhecer em uma semana.

Estava participando de uma conferência, mas de toda forma, o pouco tempo livre para desbravar o meio do mundo foi suficiente para fazer nascer um encanto pelo povo equatoriano extremamente cortês.

A região é muita alta, o que causa inícios de vertigens constantes. Mas nada que um chá de coca não resolva. A cidade de Quito é rodeada de vulcões. A paisagem é deslumbrante sempre.

Como quase toda capital latino-americana, há desigualdade e concentração de renda. Em 2000 o país adotou o dólar como moeda oficial, o que para alguns foi o pior dos mundos, pois com a moeda foi-se também parte da identidade. Para outros (conversar com taxistas é sempre bom) foi o que renovou a economia do país, que agora utiliza moeda internacional e tem facilidades no mercado externo por isso.

Estava no Equador justamente quando se comemora o “Día de los muertos”, ocasião digna de grande comemoração. Pãezinhos com formato de corpos, os “Guaguas de pan” são acompanhados de “colada morada”, uma bebida muito forte à base de frutas vermelhas. Guaguas em quéchua, a língua original do país, significa criança pequena.

As famílias levam este cardápio para os cemitérios, e lá conversam com seus entes queridos falecidos, levam dança e música e contam sobre os últimos acontecimentos da família. É uma festa linda e sensível, que merece respeito.

Mas um passeio muito marcante foi a ida ao povoado de Otavalo, a 95 km de Quito, nas altas montanhas ao norte. Lá é possível ver a essência cultural do país, visto que é formado por comunidades de artesãos. Um mar de artesanato e artistas distribuídos por toda uma região que leva praticamente o dia todo para conhecer, ainda que superficialmente.

O modo de produção mantém as origens e os ensinamentos dos antepassados. O processo começa na criação de ovelhas, depois segue para a tosa, o tingimento à base de elementos retirados diretamente da natureza, até chegar ao tear mecânico.

É uma grande emoção ver os artesãos trabalhando ao tear, com a dedicação e concentração que este tipo de produção carece. As vestimentas também são características, independentemente da idade, e são lindas. Neste povoado há muitas crianças, sempre. E elas ficam livres, caminhando de um lado para outro sem parecer se preocupar nada.

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