Arquivo do mês: janeiro 2012

A Lapa e o Circo Voador

Quem não voa por lá é porque tem alma de chumbo

Tudo começa com os arcos. Enormes, suntuosos, velhos e marcados pelo tempo. A brancura manchada pela maresia e fuligem do bondinho de Santa Tereza, que passa por cima. Parece que vai cair. De fato, o bondinho está tirando um descanso para voltar logo.

Mas são os arcos. Ah, os arcos por onde passam milhares, milhões de pessoas por dia, e por noite. A partir deles surge um mundo diferente e que faz brotar uma existência interessante, inundada de curiosidade que faz apenas apertar os passos para desvendar o que aquelas ruas representam e são.

Eis que lá se entende a liberdade do ir e vir, do sorriso aberto, da alma leve para entrecortar a multidão. Lá se entende a fluidez das notas musicais do samba e também a força de nossos ancestrais. Os ritmos, cores e cheiros compõem um cenário caótico, que se organiza na medida em que se abre o olhar para ele. O caos está na cabeça de quem assiste e é necessária uma reorganização instantânea para entendes com as coisas fluem por lá.

A boemia passou longe da rua do arco. Lá existe muito mais que isso. Como diria Romeu, “o caos uniforme das formas decadentes”, num espetáculo de civilidade e respeito. Tudo flui, tudo funciona como deveria ser. Há espaço para tudo e todos, numa composição harmônica. As ruas escuras, movimentadas e barulhentas abrigam um rio de gente que faz fila para apreciar  o que lá tem de melhor: o samba. É necessário ter a mente feliz para assimilar samba. Não por acaso, não há notícias de compositores de samba tristes.

É no bumbo e no cavaquinho que o coração pulsa mais forte, e no sorriso generalizado o público parece voar junto. Quem não voa por lá é porque tem alma de chumbo! E só para terminar ainda estou tentando descobrir porque amanheci com dinheiro dentro do sutiã. tsctscstsctsc….

PS* Lembrei: eu mesma coloquei para não ficar segurando na mão. Afinal, para dançar ao som de Martnalia não é possível ficar com as mãos ocupadas!

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